Precisava chorar, mas não tinha lágrimas.
Uma boa noite de sono talvez resolvesse, como das
outras vezes, mas ele não vinha.
Como entender melhor o mundo? Como aceitar melhor a
vida? Se deles não conseguia apartar-se, nem mesmo por um instante.
É preciso ver as coisas do alto, dizia-lhe a senhora
sabedoria. Na verdade, cansara-se de lhe dizer ao longo daqueles anos todos,
mas de nada resolvera. Qual a importância dos conselhos para os ouvidos moucos,
para os olhos que não podem e não querem ver?
Repetia-se a situação. Tomara vários caminhos, que a
nenhum destino o conduzira. E agora, percebia com certa raiva de si mesmo, que
tomara o mesmo atalho, que o obrigava, de novo, a juntar os farelos do pão, da
toalha de mesa, pra, quem sabe, enganar a fome.
Seria mais digno juntar moedas. Mas elas haviam
terminado. Que fazer?
Resolvera tomar a única atitude possível naquele
momento. Olhar adiante, seguir em frente, viver um dia de cada vez.
E se houvesse amanhã, quando houvesse, quem sabe,
voltaria a escrever aquela frase escondida em algum cantinho da sua mente e do
seu coração. Porque doutro modo não faria sentido.

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