O mês de maio marca o
desaparecimento de dois ícones do esporte. Eles tinham o mesmo olhar sereno e
profundo. Audaciosos, velozes e idolatrados, escreveram em épocas distintas algumas
das páginas mais belas e empolgantes do automobilismo mundial.
O canadense Gilles Villeneuve
despediu-se para sempre dos seus inúmeros fãs durante os treinos para o GP da
Bélgica de Fórmula 1, no circuito de Zolder, no dia 8 de maio de 1982. Após tocar
na traseira do March de Jochen Mass, que vinha lento pela pista, sua Ferrari
decolou e Villeneuve fora arremessado para fora do carro. Com o impacto que seu
corpo sofrera contra o alambrado de proteção,
teve morte instantânea.
Antes desse fim trágico,
porém, Villeneuve protagonizou um “péga” inesquecível com o francês René
Arnoux, da equipe Renault, em 1979, no circuito de Dijon Prenois, na França,
disputando lado a lado, curva a curva o segundo lugar da corrida, durante
várias voltas, prendendo no assento os telespectadores de todo mundo e
colocando de pé o público presente ao autódromo.
Também em 1979, na Holanda,
pilotara com o pneu traseiro esquerdo de sua Ferrari completamente dechapado, só
desistindo da competição quando informado pelos mecânicos nos boxes que a
traseira do carro estava destruída. Seu estilo agressivo de pilotar a Ferrari
vermelha de Maranello era expectativa de show para os aficionados pelo
automobilismo, remetendo-os aos tempos de outros ídolos como Fangio, Ascari,
Moss, Hill, Clark, Stewart, Hunt e Regazoni.
Em 1981, no Canadá,
mais uma de suas peripécias, quando o bico da sua Ferrari se partiu e cobriu
sua visão por várias voltas, sob forte chuva, até se soltar por completo, não
impedindo-o de subir ao pódio em terceiro lugar.
Ao longo dos 6 anos que
durara sua carreira na Fórmula 1, Villeneuve conquistou 6 vitórias, 2 pole
position e estabeleceu vários recordes de pistas e melhores voltas. Morreu aos 32
anos, deixando um filho pequeno de nome Jacques, que, 15 anos depois viria a
obter a consagração máxima nas pistas que faltara ao pai, tornando-se campeão
mundial de Fórmula 1.
Senna:
The Best
Para muitos, ele era e
continua sendo simplesmente o melhor. A ausência de Ayrton Senna da Silva é um
vazio jamais preenchido no coração de seus fãs brasileiros, japoneses e de
qualquer parte do mundo onde haja alguém que compreenda o fascínio da velocidade.
Obstinado pela vitória,
perfeccionista na arte da pilotagem, Senna competiu numa época em que vários
ótimos pilotos disputavam a cada metro de asfalto as melhores voltas, as
vitórias e os títulos, o que engrandece ainda mais os seus feitos. Allain Prost,
seu maior rival nas pistas, o brasileiro Nelson Piquet, tri campeão mundial
como Senna, além do inglês Nigel Mansel, pra citar alguns desses rivais.
Senna estreou na
Fórmula 1 em 1984, marcando seus primeiros pontos já na primeira corrida. Mas
foi no GP de Mônaco daquele mesmo ano, que depois, viria a vencer por seis
vezes, que despertou a atenção de todos que acompanham o fascinante circo da
Fórmula 1. Debaixo de muita chuva, pilotando um Toleman, completou a prova em
segundo lugar, depois de ultrapassar feras consagradas como o austríaco e
tri-campeão mundial Niki Lauda.
No ano seguinte, em
Portugal, conquistaria a sua primeira vitória pilotando uma Lotus. Mas foi na
McLaren, para a qual se transferira em 1988, em busca do título que lhe
faltava, que Senna escrevera uma era memorável na história da Fórmula 1,
obtendo seus três títulos mundiais (88,90,91), e estabelecendo recordes que
permanecem até hoje.
Protagonizou em
Donington Park em 1993 aquele que é considerado o mais brilhante desempenho de
um piloto numa corrida de Fórmula 1, ao ultrapassar todos os carros na primeira volta, depois de ter tido
problemas na largada.
Vencera duas vezes o GP
Brasil de Fórmula 1, em Interlagos, em 1991 e 1993 levando o público ao
delírio. Polêmico, bateu de frente com o todo poderoso Jean Marie Balestre,
presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), algo que a
maioria dos pilotos não ousava fazer devido ao perfil autoritário do dirigente.
Ao chegar à McLaren em
1988, encontrou como companheiro de equipe o francês Allain Prost, à época já
bi-campeão mundial naquela escuderia. Sabia que para dividir as atenções e
receber o mesmo tratamento que Prost, precisaria ser mais rápido que ele e foi
o que tratou de fazer.
Senna não media
esforços para atingir seus objetivos. Para ele não bastava competir era
importante vencer. Exatamente por isso, em 1994, deixou a McLaren onde reinara
durante 7 anos e transferira-se para a Williams com a esperança de que a equipe
pudesse fazê-lo lutar por vitórias e títulos novamente. Sonho interrompido em
1º. de maio daquele ano, na curva Tamburello, durante o GP de San Marino, em
Ímola, na volta número 7, quando liderava a prova. Naquele dia, morria o herói,
nascia o mito.
Geraldo J. Costa Jr. é escritor, autor de A
Tarde Demora a Passar e O Intermediário, pela editora Lexia, e Sob o Manto da
Noite, pela editora Multifoco. Também escreve para sites, jornais e revistas.


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