Ainda bem que já era
mais de 6 da tarde, de uma sexta-feira, e, a essa altura, os líquidos preciosos
já haviam me proporcionado aquela sensação gostosa, inebriante de relaxamento mental
muscular compulsório. Porque, caso contrário, bem provável seria que eu tivesse
uma síncope ao me deparar com uma famigerada lista de procedência desconhecida,
publicada no site do jornal Estadão, que tem a tola pretensão, como, aliás,
todas as listas padecem desse mal incurável, de estabelecer os 15 autores
preferidos do leitor brasileiro. Isso já é uma temeridade por si só. Mas, vamos
lá! Dos 15 nomes que aparecem na lista constam dois autores esotéricos (Paulo
Coelho e Augusto Cury) dois espíritas (Chico Xavier e Zibia Gasparetto) e um
católico (adivinhe quem? – se pensou em Padre Marcelo Rossi, me desculpe, mas
você não é a pessoa mais indicada para me fornecer as seis dezenas do próximo
sorteio da mega sena.
Se a pretexto de
desinformação ou burrice mesmo da parte de quem elaborou a pergunta da
pesquisa, o fato é que Chico Xavier e Zibia Gasparetto devem sua citação a Emmanuel e Lucius, os espíritos que teriam
dado as comunicações (leia-se livro) que os citados receberam mediunicamente,
portanto, Chico e Zíbia nada escreveram de sua própria lavra, mas serviram-se apenas
de instrumentos para tanto. O que já invalidaria a famigerada lista, na qual
figura também, num honroso sétimo lugar, o autor de uma nota só, Jorge Amado,
que passou sua vida escrevendo sobre um mesmo assunto, como se ensaiasse e bem para
escrever o grande livro de sua carreira, que por sinal, jamais escreveu.
A classe poética está
devidamente representada por Cecília Meirelles, Carlos Drummond e Vinicius de
Moraes, este, de fato, um poetinha. Vejam que eu escrevi devidamente e não bem
representada. Porque o termo “bem representada”, de fato, aqui não se encaixa.
Ada Pelegrini, quem? Também
consta da lista. E acredite: José de Alencar, talvez devido o fato de sua
presença constante nos livros lidos (?) para os vestibulares.
Sob esse aspecto o que
não dizer de Machado de Assis, que, no próximo dia 2, completaria mais um ano
de vida. Ele está em segundo lugar. Porra, Machado, você bem merecia uns bons pé d’ouvidos,
porque perder a liderança para o pai de Narizinho, Pedrinho e Visconde de Sabugoza,
é algo injustificável, para um autor da sua envergadura.
Tem outro cara que
consta dessa lista, de nome John Green, aquele mesmo, sobre o qual saem
resenhas grandiosas e fotos gigantescas nos cadernos de cultura dos jornalões
da capital paulista, a cada vez que o bonitinho de óculos lança um livro, adquirido
a peso de ouro por alguma editora brasileira. Livros que a gente se arrisca a
algumas páginas, mas que, em geral, não passa da sexta ou sétima, com muito boa
vontade, e a pretexto de justificar os 50, 60 reais desembolsados num momento
de grande excitação etílica e falta de lucidez.
Pra encerrar a conversa
desagradável, na tal listinha também aparece o Maurício de Souza, mais
conhecido como o mentor intelectual do crime, digo, o criador de Mônica e
Cebolinha.
Quem teria feito essa
pesquisa, baseado em quê, e com qual objetivo senão o de preencher espaço em
site noticioso, desprezado pela publicidade, eu não sei. Mas bem poderia ter
abdicado da ideia, como qualquer cidadão que se pretenda a leitor, abdicará logo
da sua, caso se oriente por essa tal famigerada listinha.

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