O que leva um ser humano a
acordar às 5 e meia da manhã de um domingo com esse versinho pegajoso na mente
“Pro samba que você me convidou, com que roupa eu vou?” é coisa que nem os sábios
frequentadores do Bar do Bolinha conseguem responder. Mas sem dúvida, é a letra bem humorada e
sugestiva do sucesso de 1929 do genial Noel Rosa (1910-1937) – viveu só 26
anos, sortudo!
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| Reprodução |
Bem, finado leitor, só há
uma resposta possível para essa indagação: Pagar contas. O que para um redator
pé na cova feito este que vos escreve significa ligar o computador às 5 e meia
da manhã de um domingo para escrever 15 linhas, porque, inclusive, e esse é um
assunto muito sério, há prazos a cumprir.
Enquanto me deparo com a
tela em branco, observo que há vários tipos de letras os quais posso utilizar
para transformar a ideia que ainda procuro em um texto que lhe agrade, ou ao
menos o torne um assassino cruel e contumaz de 5 minutinhos do seu precioso
tempo. Assim espero.
Bem, a ideia acaba de surgir.
Antes que tivéssemos a comodidade que o editor de texto do Windows oferece com
sua infinidade de letras e tamanhos, recurso também conhecido como Open Type,
nós, reles escribas, nos sujeitávamos sem opção de escolha aos tipos da máquina
de escrever. Parece que o ouvi dizer papiros, caro leitor. Ora, poupe-me, nem
sou tão velho assim. Eu acho.
Titio Gutenberg fez a
revolução no século XV e facilitou nossas vidas. Era o tempo em que cada tipo,
umas peças de metal, correspondia a uma letra. Para formar palavras, havia um
processo chamado composição, que consistia basicamente em juntar essas peças de
metal, de tamanhos variados, formando palavras, frases, períodos, páginas... e
jornais e livros e revistas, e ... – chega!
Modificava-se, portanto, uma
a uma a disposição das peças de metal, conforme a necessidade de formar
palavras. Esse processo, conhecido como tipografia, perdurou por muito tempo, até
idos de 1989-90, que eu me lembre, e era usual nas gráficas dos jornais de
cidades do interior, em cujas redações, trabalhavam jovens besta feito eu, que
imaginam poder mudar o mundo com ideias. E, não raro, esse processo demorado e
trabalhoso, era motivo de brigas homéricas entre jornalistas vaidosos que
primavam pelo excesso de zelo para com os seus textos, escritos no calor da emoção
e da necessidade.
Apesar das vantagens do
design gráfico, a tipografia, nada mais que o processo de criação física para
dar estrutura e forma à comunicação escrita, sobrevive, embora pouco usual, em
alguns estabelecimentos comerciais conhecidos como gráfica.
A ortografia esse termo
pomposo e bonito, é o padrão para a forma escrita da palavra, e não existiria
sem a letra, que, por sinal, é um substantivo feminino. Tinha de ser!
Letra, a representação
gráfica do fonema. Símbolos que denotam parte da fala. Coube aos gregos, sempre
eles, por volta de 800 aC, atribuir letras para as vogais, porque, até então,
se bem entendi, só havia consoantes. Imagine um debate num tribunal do júri sem
as vogais.
Letras são indispensáveis à
vida humana, mas podem dar uma confusão danada. É o que acontece quando algumas
pessoas tentam interpretar os textos sagrados ao pé da letra. Cristãos e
muçulmanos que o digam.
Podem gerar preocupação,
como as letras de câmbio, quando não pagas no tempo devido. Por falar nisso...
O lado bom: letras formam
palavras de amor, bonitas, fortes e verdadeiras que podem ser escritas e
difundidas, e levar esclarecimento e esperança àqueles que não os possuem.
Não que esse texto tenha
essa pretensão, mas já é um bom começo, espero.
Ah, mais uma coisa: Alguém sabe
onde fica o pé da letra?
*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 27/2/2016, à página 12;
* Publicado no Jornal Aquarius, edição No. 142, de Março/2016, à página 5.
*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 27/2/2016, à página 12;
* Publicado no Jornal Aquarius, edição No. 142, de Março/2016, à página 5.

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