E novamente me vejo
só
Novamente tocou o
telefone
E diminuí os passos
Entre a distância
que dele me separa
Para não atendê-lo
Tocou duas vezes,
uma,
Alguma outra que não
me recordo
Novamente já deitou
a tarde
Que demorou a passar
Como todas as outras
Se tocaram os sinos,
da Santa Cruz
Não sei, não ouvi,
esqueci, já faz precisamente
Dois minutos
Certamente tocaram,
Os sinos
beneditinos, novamente
Cai a noite, e a
vida, envolta, vai ficando
Na penumbra que logo
chega
Um cigarro esquecido
na gaveta
Evitado a todo custo
Um trago em demasia,
dois ou três
Que estrago pode
fazer
Se o estrago está
feito
E não por causa do
cigarro
Deixado, ao caso,
dia desses, pelo Carlos
Alberto, os céus da
Gália pedem-me a leitura
Mas eu prefiro o
outro lado da cruz
Da cruz, não da lua
Já tem muita gente
por lá, na lua
Desocupados e afins,
Querubins. Duvida?
Lampedusa me oferece
o leopardo
Talvez, esta noite
ainda, depois das três
O céu e o inferno
Ação e reação
Morte, Leon, nada mais
e tudo faz sentido
Vou em segurança
mediúnica
Escrevendo,
concluindo, lento e sem demora, assim...
Do mestre perfeito,
algo sei, e seus mistérios
Enfim, é o fim
Duplo: etérico
Onde está o meu?
Escondido estará em
um vaso de porcelana?
Tudo isto não é
nada, são apenas obras: póstumas.
Que desfazem a
solidão em que me encontro
É noite, e por algum
motivo, a rolha escapa
Da garrafa de vinho,
tinto suave.
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