Toda
mensagem positiva, independentemente de quem ou de onde venha serve para
aqueles que ainda trazem ao menos um ranço de esperança em seus corações; aos
que já não a possuem ou aos que foram abandonados por ela, resta a dor e a
certeza do inevitável .
Direitos Autorais dos textos publicados de Geraldo J. Costa Jr. "Escrever não é a doença, é a cura". g.j.c.jr.
terça-feira, 25 de junho de 2013
VOZ NO DESERTO
Toda
mensagem positiva, independentemente de quem ou de onde venha serve para
aqueles que ainda trazem ao menos um ranço de esperança em seus corações; aos
que já não a possuem ou aos que foram abandonados por ela, resta a dor e a
certeza do inevitável .
quarta-feira, 19 de junho de 2013
POVO QUE LÊ?
"O brasileiro não se
atém à substância da notícia. Portanto, não a compreende em sua totalidade". A
frase pertence ao Prof. Olavo de Carvalho, filósofo (talvez o único brasileiro
que mereça a distinção na atualidade), jornalista e escritor. Carvalho mora nos
Estados Unidos onde ministra cursos de filosofia e mantém o site Mídia Sem
Máscara, uma espécie de oásis de inteligência em meio o deserto da ignorância
nacional. Uma vez por mês, ele apresenta via web rádio (áudio) e via Youtube
(áudio e vídeo) o sempre acalorado True Out Speak. Acompanhar o professor seja
através da leitura de seus artigos disponíveis no seu site pessoal www.olavodecarvalho.org ou nos meios
de comunicação aqui citados é escapar da mesmice e da uniformidade (como ele
próprio define) do noticiário nacional e da cena cultural do país.
Acredite leitor, que
você pode até não concordar com as ideias do titio Olavo, mas que elas te
levarão a refletir sobre uma série de coisas, não tenha a menor dúvida.
Eu poderia iniciar este
artigo com uma introdução diferente, mas escolhi esta, primeiro porque a
garrafa de café da redação está quase vazia, e os cigarros amassados dentro da
gaveta, quase acabando, e sinceramente, não pretendo ficar com a bunda colada
nessa cadeira desconfortável até as 10 da noite. Não pelo menos hoje.
Muito bem, caros
leitores (e leitoras, é claro, antes que alguma desavisada me processe por
isso, ou me torne a causa de uma passeata de protestos em favor da igualdade de
menções ao gênero masculino e feminino por parte dos redatores).
Como eu ia dizendo,
naquele nosso jeito informal de conversar eu e você, cara leitora, digo,
leitor, na edição de Junho/2012, do Jornal Aquarius, e do qual somos um dos
colaboradores, ocorreu um equívoco. Nada que macule a credibilidade do
mensário, tão pouco de seu editor, nada disso, mas o equívoco justamente na
capa do jornal, que, entre suas qualidades, tem por rotina não sujar
literalmente a mão de quem o lê, poderia justificar a demissão, a guilhotina do
infeliz que o cometeu, porque, imagine você, leitor atento que é, onde já se
viu, não é mesmo, estampar no mosaico a foto do lago de Araras, tão conhecido e
admirado, e não o de Rio Claro, cidade que por estar completando mais um
aniversário foi a homenageada da referida edição.
Confesso, não fosse o
Maurício Beraldo, imbuído de sua irretocável dignidade me alertar, e nem eu
teria percebido o fato, como ouso imaginar que 9 em cada 10 dos muitos leitores
do Aquarius perceberam.
O que isso revela? Que
somos desligados, indiferentes? Talvez. Mas eu prefiro acreditar que a causa
principal seja mesmo a nossa inaptidão natural para a leitura, e, pior, ainda,
nossa falta de hábito e de jeito para o contato com uma publicação impressa, seja
ela livro, jornal ou revista.
Se isso nos falta, que
diremos de nossos filhos e netos, que inseridos em um mundo de moderna
tecnologia aprenderam a ler por meio do celular, melhor dizendo, das mensagens
neles escritas e que são as que realmente lhes interessam. Não é mesmo,
Viviane? Sim, Viviane é minha filha. Beijinho, filha.
Que tipo de sociedade nós
vamos herdar ao mundo, não sei. Uma geração de alienados? Quem sabe. Ou eles é
que construirão a seu turno, um mundo, que hoje, sequer poderíamos vislumbrar
baseados nas informações e conhecimentos que possuímos.
Sabemos que a
informação é poder. Mas o modo como atualmente ela chega até nós, desmente essa
máxima. Porque se trata de uma informação orquestrada, uniforme, que visa
manipular a opinião pública, e fazer com que esta aceite, escolha, e acredite
naquilo que interessa aos maiores beneficiados de um sistema econômico selvagem
que apenas visa o lucro.
Desconfie, portanto,
leitor, das afirmações que parecem não deixar dúvidas no que diz respeito à
política e a economia. Ou das mensagens publicitárias que parecem sugerir mais
de uma ou todas as alternativas, como a de determinada marca de cigarros,
exposta estrategicamente nos caixas dos supermercados e que tem um grande
“Talvez” em negrito, riscado por um “X” ainda maior. Talvez o quê? Entende?
Quando você assistir a
uma tele-novela, um filme, uma peça de teatro, ouvir uma música, saiba que tais
manifestações artísticas, trazem em seu bojo, um teste daquilo que na política,
será no futuro, colocado em prática. Como já dizia o poeta austríaco Hugo von
Hofmannsthal (1874-1929): “Nada se torna
realidade na política de um país, se antes não está presente como espírito na
sua literatura”. Ele se referia ao livro “O Admirável Mundo Novo” de Aldous
Huxley. Já leram? Façam-no. E talvez encontrem algo que hoje seja comum aos
nossos olhos.
Exagero de nossa parte,
você pode estar pensando. Lembre-se que o alto custo dessas produções
artísticas que atingem as grandes massas, demandam financiamento. E aí
encontramos a solução para tanto nas verbas publicitárias das empresas e dos
governos, cada qual, com seus interesses.
Não há santo e muito
menos coisa alguma de graça nesse meio, como não há independência jornalística,
a partir do momento que uma publicação do gênero aceite que alguém ou alguma
coisa veicule a sua mensagem publicitária.
Imprensa, artistas
devem satisfações aos seus leitores e admiradores, sim. Mas aos seus
anunciantes e patrocinadores, muito mais, porque sem esses últimos, os
primeiros simplesmente não existem.
Aí, você pode dizer,
mas e se o sujeito, no caso do artista, for podre de rico? Sim, ele até
consegue botar o pescoço pra fora a fim de que todos o vejam e quem sabe até o
admirem. Mas se ele com suas atitudes e sua arte, contrariar os interesses do
sistema, do qual a imprensa faz parte, será devidamente engolido e levado ao
obscurantismo por parte desse sistema que não admite erros, e muito menos
prejuízos.
Deus tem suas leis,
caro leitor, e os homens que mandam, porque possuem o poder econômico, de onde
advém e através do qual se sustém todos os demais poderes, inclusive o político
tem as suas. E, portanto, seus escolhidos. E disto, já sabiam os hebreus. E
nada garante que eles eram dados à leitura. Moisés que o diga.
terça-feira, 18 de junho de 2013
VINTE CENTAVOS, O PREÇO DA REVOLTA?
Nós brasileiros, nos
acostumamos a ver manifestações populares no quintal dos outros. Agora nos
deparamos com os mesmos acontecimentos no nosso quintal.
Há de se admitir o
devastador efeito viral do poder de comunicação das redes sociais. Eventos que
em sua origem reuniam algumas centenas de pessoas, uma semana depois, reúnem
milhares delas.
É lógico que muitas
pessoas aderiram à causa das manifestações depois de, estarrecidas, tomarem
conhecimento através da mídia e das redes sociais, da reação das polícias para
com os manifestantes.
Soma-se a isso, a
conduta sempre inadequada dos políticos brasileiros, em teoria, os legítimos
representantes do povo, mas que descaradamente insultam a boa fé e traem sem
nenhum sentimento de culpa ou remorso a confiança desse povo, com gestos e
atitudes exorbitantes, que beiram ao ridículo e que visam tão somente os
benefícios e privilégios dos próprios políticos, através da prática nefasta da
corrupção que corrói a riqueza do país, criada não por eles, os políticos que
estão no poder, mas pelo povo, que, desta riqueza, só obtém esmolas que mais
insultam a inteligência do que resgatam a dignidade, a exemplo do Bolsa
Família.
A imprensa, não sem
motivo, possui certa desconfiança para com a polícia militar e é compreensível
sob esse aspecto que carregue na tinta e nas lentes os seus relatos sobre as
manifestações que se verificam, o que, de certo modo, tende a induzir a opinião
pública que, em sua maioria, ainda se vê muito mais representada pela imprensa
que na classe política.
Mas, não se iludam. As
tais reivindicações que justificariam a onda de protestos que se verifica em
várias cidades do Brasil, como o aumento de tarifas de ônibus em São Paulo de
R$3,00 para R$3,20, seria segundo alguns, apenas pano de fundo para o real
motivo do que se pretenderia, ou seja, estabelecer o caos na sociedade
brasileira, cenário que serviria como pretexto para instaurar a ditadura
esquerdista no país.
Mais uma vez o povo estaria
sendo usado como massa de manobra para engrossar um movimento e criar
dificuldades para o controle legal da situação por parte das autoridades.
Se tais manifestações
perdurarem mais uma semana com a mesma intensidade, pode-se a partir daí se
atingir uma situação de instabilidade civil de consequências imprevisíveis.
Importante observar que
o cenário que se vivencia atualmente no país favorece a implantação de um
regime totalitário: não há oposição política ao governo federal; parte significativa
da imprensa, justamente aquela que ainda forma opinião, está comprometida e,
quando não, está sob controle, porque depende das verbas governamentais e dos
investimentos publicitários das empresas que tem boas relações com os governos,
seja em nível federal, como estadual e municipal. Pois se dependesse apenas da
venda de suas publicações ao público leitor, no caso dos jornais e de seus
anunciantes, no caso das tevês e rádios, estariam à beira da falência ou
simplesmente já teriam deixado de existir.
Além disso, contribuem
substancialmente para a deflagração dessas manifestações de rua, o oportunismo
dos partidos políticos radicais, que nesses movimentos encontram a oportunidade
para se fazerem vistos, ouvidos e obterem algum espaço político dentro do
esquema de poder que atualmente comanda o Brasil.
As razões, entretanto,
vão mais além. Elas passam pela insolvência, criminosamente planejada, do
sagrado instituto da família. Passa pela impunidade e a corrupção, a excessiva
carga de impostos paga pelo contribuinte sem nenhum retorno, a péssima educação
pública, não por culpa dos professores, e que ao invés de formar cidadãos,
tende a transformar crianças, adolescentes e jovens em potenciais transgressores
das leis. Passa pela apologia ao crime, e à prática da promiscuidade, bem como
à alienação e a estupidificação por meio das programações e informações difundidas
pelos veículos de comunicação de massa. O estímulo ao consumo das drogas e das
bebidas, cuja indústria financiaria o futebol profissional. A omissão
proposital dos governos, uns por conivência, outros por falta de iniciativa e
perspectiva, e, sobretudo comprometimento e coragem. Passa ainda pela dificuldade
das autoridades em fazer com que as leis sejam cumpridas, pelo fato de que as
leis que serviriam para garantir a ordem acham-se obsoletas, quando não
favorecem justamente aqueles que não as respeitam. E finalmente o segmento
cultural e artístico, onde, de um lado, se destacam ídolos de pano, roto e
rasgado, das artes cênicas e da música, produzidos em toque de caixa por especialistas,
e que nada tem a dizer ou expressar senão superficialidades e besteiras, e de
outro lado, aqueles artistas absolutamente dependentes das esmolas das
famigeradas políticas culturais, cujo intento, não é como se propaga reconhecer
e valorizar o artista menos conhecido, portanto de menor apelo e penetração
popular, mas mantê-lo subserviente e sob domínio, de modo que não se torne uma
ameaça ao sistema, ao contrário, contribua para a sua manutenção. As
referências nesse segmento, como se vê são as piores possíveis.
O cidadão comum, por
sua vez, este ser amorfo, contraditório, alienado e omisso, quanto às coisas
que imagina ingenuamente não lhe dizer respeito, e que atende a cada quatro
anos pelo nome de eleitor, pode ser bonzinho demais, mas burrinho demais,
talvez não seja. Porque tolerou a péssima saúde pública, o ineficiente transporte
público, os baixíssimos salários pagos aos que realmente trabalham no país, até
o momento em que apareceu a dinheirama, que se dizia não existir, para
financiar obras faraônicas e absolutamente dispensáveis, como os estádios de futebol
para a Copa do Mundo, cujo legado é duvidoso.
Tolerou a corrupção,
até que se descobriu que os seus maiores praticantes eram justamente aqueles
que sempre a condenaram e que há 11 anos governam o país. E indignado descobriu
que os maiores beneficiados pela impunidade eram também aqueles próprios
corruptos, que, apesar de condenados, ainda gozam dos benefícios das leis que
ironicamente asseguram os direitos de quem não as cumpre, em uma afronta intolerável
que desvaloriza a conduta correta daqueles que as respeitam e as cumprem.
Entenda-se que o
objetivo principal por trás de tais manifestações de rua verificadas no Brasil
nos últimos dias não é derrubar o governo federal da presidenta Dilma, como
ingenuamente chegam a acreditar alguns. O objetivo visa manutenção do mesmo
esquema de poder, onde a presidente, como se sabe, é apenas a ponta do iceberg,
e a sua ampliação para um poder totalitário a perder de vista, não feito aquele
que governou o país durante quase 24 anos, pior.
Se tal situação vier a
ocorrer, dependerá, evidentemente, do respaldo das Forças Armadas, para que
sustente. Se estas tiverem uma atitude venezuelana, por assim dizer, adeus
liberdade, e salvem-se quem puder. Mas se acaso se dividirem em suas opiniões e
decisões, a ponto de uma parte delas ficar a favor do eventual regime
totalitário e outra não, aí estaremos com um pé no cenário mais inimaginável em
se tratando de Brasil: a guerra civil, que em face das dimensões continentais
do país, não será apenas uma contenda de primavera, como aquelas verificadas
nos países árabes. Será, talvez, um verão com altíssimas temperaturas. E como
disse o Geraldo, que não é este que vos escreve caro leitor, talvez falte
guilhotina, mesmo.
A pouco mais de um ano
das eleições presidenciais e diante da possibilidade de perder o poder em nível
nacional, não seria absurdo imaginar que o grupo político que hoje governa o
país, teria interesse em enfraquecer o oposicionista governo de São Paulo, o
que facilitaria, em tese, a tomada do poder em nível estadual daqui a um ano, a
exemplo do que ocorreu este ano, na capital.
Além do mais,
enfraquecida as pretensões da cúpula do PSDB paulista em mais uma vez lançar
candidato à presidência da república, estaria aberto o caminho para a
candidatura mineira de Aécio Neves, que, em tese, não se constituiria, na
prática, oposição ao governo federal que aí está. Muito pelo contrário. É
aguardar para ver. E rezar.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
POEMA AO ENTARDECER
Demonstra por mim um carinho
Que alguns até quiseram, mas
Sentir jamais conseguiram
Você me surpreende com palavras das quais
Eu já havia me esquecido
Provoca-me um desejo
Que a realidade tratou de aniquilar
Faz-me buscar a razão que atormenta
Pelo fato de não saber por quê
Eu jamais fora feliz
Você surge a cada dia
Em meu pensamento
Quando o sol desperta
E adormece em meu coração, na minha ilusão
Quando a noite chega
E me coloca novamente, sem nenhum remorso
Nos braços da solidão, onde vivo cada
momento
Eu já havia me esquecido o modo de fazê-lo
Já havia me convencido de que não é mais possível
O que sinto quando escrevo estas coisas, mas...
Basta a lembrança mencionar o seu nome
Ou me trazer de novo o seu olhar
Para que então, tudo aconteça de novo
Ao menos aqui... dentro de mim
Para a Srta. A. (ainda que distante).
Para a Srta. A. (ainda que distante).
quarta-feira, 12 de junho de 2013
A QUEM INTERESSAR POSSA
Vivemos um tempo em que
se dá um valor desmedido às coisas fúteis, efêmeras, capazes de provocar fortes emoções e nos
colocar em contato direto com o maravilhoso e o fantástico, e nos proporcionar
experiências, que, todavia, uma vez terminadas causam uma devastação no sempre
inconsolável coração humano, na sua busca incessante por prazer e felicidade,
impondo-lhe desse modo à condição de escravo de necessidades que, em verdade,
não possui.
Em nome da liberdade, da
igualdade e da fraternidade, mas uma liberdade sem compromisso, uma igualdade
sem respeito, uma fraternidade que não passa de egoísmo, verifica-se tremendo
esforço por parte da indústria do entretenimento, através da mídia, a qual
sustenta, em demolir os conceitos religiosos, a fé em Deus, a boa nova do
Cristo Jesus.
No comando dessa operação
maquiavélica, estão os verdadeiros donos do poder e do dinheiro, que, nas
últimas décadas, conseguiram por meio de hábeis recursos de engenharia social,
estabelecer uma nova (nem tão nova assim) ideologia política, a partir do
combalido comunismo que, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 parecia
jaz nos escombros do Muro de Berlim. A nova face do comunismo é a social
democracia, mais agradável aos sentidos humanos, por assim dizer.
Coube a Igreja Católica
Romana durante centenas de anos, muitas vezes às duras penas e sob terríveis
perseguições, preservar na maioria das pessoas do lado de cá do mundo, a fé
viva em Deus, os ensinamentos da moral cristã, e também as riquezas da Cultura
Ocidental. Se esta Igreja já cumpriu o seu papel, ou se pode adquirir um novo
dinamismo, uma nova função desde que se livre do mofo da prepotência, não nos
cabe especular.
Não ignoramos, todavia, a
necessidade que se faz nos dias atuais de resguardar com coragem e divulgar sem
inibição os valores absolutos da sociedade humana que são os valores morais
cristãos, ou seja, o amor, o perdão, a fraternidade, o respeito ao semelhante
sem interferir na sua liberdade de escolha e sem permitir que a liberdade
alheia, por sua vez, interfira na de outro.
Desse modo, é imprescindível nos ajudarmos uns aos outros nas horas de dor, cabendo e podendo cada um dar
o que possui e isto pode ser um auxílio material que atenda a uma necessidade
meramente humana e premente, porque dor, fome, frio, não sabem o que é esperar.
Ou ainda, uma palavra, um gesto amigo que revigora, esclarece, consola a alma
aflita com a qual nos deparamos.
Mas o mundo que
construímos até aqui para nós é baseado no sistema econômico que determina
produzir, consumir, para satisfazer, uns, e obter lucros, outros. E mais
que, em qualquer outra época, a Cultura está a serviço desse sistema. Nenhuma
outra indústria como a do entretenimento recebeu nos últimos anos tantos
investimentos de recursos financeiros. Porque é através da Cultura que
atualmente se escoa, se faz chegar às pessoas, os produtos, as tendências, o
comportamento que tem por objetivo gerar lucros para os tais investidores, ou
seja, os donos do dinheiro.
Não à toa ídolos da
música, do futebol, do cinema, do show bussines são produzidos às fornadas,
elevados rapidamente à condição de deuses, determinando o que as pessoas devem assistir e
ouvir, comer e o que vestir, e como devem se comportar. Um caso típico
brasileiro, são as tele-novelas que tanto apelo possui junto às pessoas
tornaram-se escola do crime.
Por outro lado, a
imprensa, por razões que bem conhecemos, dá ênfase a tudo aquilo que não presta
e que é errado, sob o pretexto de que o cachorro morder o homem não é notícia,
mas o homem morder o cachorro é. Talvez fosse bom lembrar os colegas
jornalistas que, diante do cenário por eles habilmente retratado, as boas
ações, os gestos humanitários e as condutas edificantes já alcançaram a
condição do homem que morde o cachorro, uma vez que, para o leitor, o
telespectador, o internauta, o ouvinte comum, aquele que não se atém à
substância das notícias, tais ações positivas se tornaram exceção na rotina
humana, quando sabemos que isso não corresponde à realidade.
Se nada podemos esperar dos
governos, comprometidos até o pescoço com os verdadeiros e únicos donos do
dinheiro e do poder político; nem da Cultura, da Educação pública e privada, e tão
pouco da imprensa, talvez resta-nos recorrermos ao último bastião da dignidade
humana que são as religiões, naquilo que elas têm de melhor por conceito e
definição, uma vez que conduzidas por homens, são atingidas por defeitos e
erros conhecidos de todos que possuem um mínimo de informação. Mas, enfim, pelo
fato de estarem ao menos em tese dispostas a dar uma orientação baseada na
bondade, no amor, nas virtudes, são as religiões, os abrigos onde o ser humano
ainda pode recorrer.
Por essa razão, pelo
valor humanitário e espiritual que as religiões são detentoras, e pela
influência positiva que podem exercer junto ao indivíduo e às famílias, já é
tempo dos diversos segmentos religiosos que tem Deus como a causa primária de
todas as coisas e os valores cristãos como norte de conduta, parar de rusgas,
disputas entre si e se unirem em ações de alcance mundial, aproveitando todos
os espaços na mídia, e inclusive o poder de divulgação que possuem as redes
sociais. Em nosso entendimento, é hora de saírem do casulo de seus dogmas, de
arrancá-los fora como o joio do trigo e queimá-los, porque são ervas daninhas que
impede a roseira perfumada da fé, do amor e da cristandade, de crescer e
revelar toda sua beleza.
Pessoas de bem,
religiosas ou não, melhor fariam se parassem de se destruírem a si mesmas e
umas às outras, através do veneno do orgulho, do egoísmo e da ambição. Pois
cada uma é como flores de esperança que Deus colocou neste planeta, que,
generoso, porque criado sob a luz da divindade tudo oferece para o sustento de
todos, sem que haja necessidade de um agir em prejuízo do outro, bastando para
isso o exercício da solidariedade, do desapego por aquilo que sob nossa guarda
acha-se transitoriamente.
Por isso, antes de nos
colocarmos à crítica sobre a preferência religiosa de cada um, tratemos de
deitar as armas, principalmente a língua, e nos analisarmos para que
conscientes de nossas limitações, mas também de nossas possibilidades,
busquemos nos aperfeiçoarmos moralmente.
Naquilo que diz respeito
ao Espiritismo, sempre tão combatido por aqueles que o temem porque o ignoram,
antes de se por a crítica e condenar o que não se conhece, melhor será
instruir-se sobre os Fundamentos do mesmo, que são: existência de Deus, imortalidade do espírito, reencarnação,
comunicabilidade entre os espíritos, lei de causa e efeito, pluralidade dos
mundos habitados, evolução.
Depois, só
depois, fique-se à vontade para comentar, criticar e até condenar, se é que se
sinta a altura disso. Pelo menos estará se fazendo com conhecimento de causa.
Falar e fazer
juízo de valor sobre o que não se conhece é fácil e podem motivar outros a agirem
da mesma forma desencadeando processos destrutivos que apenas atrasam o
progresso moral da sociedade humana. Mas, se uma palavra pode matar a outra, o
exemplo, não. Porque é nele que se realiza a ação, através da qual cada um se
revela.
O Espiritismo,
por sua vez, é sustentado pela fé raciocinada. Exatamente por isso, ele não faz
proselitismo, nada impõe, apenas propõe.
O Espiritismo
nos mostra o que somos e de onde viemos e para onde vamos. Vivifica ao mesmo
tempo em que esclarece, conforta nas horas difíceis comum a todos nós, em face
da condição moral do planeta que habitamos em concordância com a nossa;
ensina-nos a ser corajosos para enfrentar a boa luta, como ensinara Paulo, e
sem armas, nenhuma, que não seja a fé e a boa vontade. Ensina-nos a nos
prevenirmos quando, temporariamente ao abrigo, sentados no trono, à mesa farta,
estivermos, porque, feito o mar, a vida pode mudar a qualquer momento.
Ensina-nos a nos perguntarmos perante o sofrimento alheio: que posso fazer para
amenizar ao menos o sofrimento do meu semelhante, porque ele feito eu, é também
um filho de Deus.
Escrevo sobre
isto, meus caros amigos, companheiros de jornada, de ontem, de hoje e de sempre
e possíveis desafetos, não em defesa do Espiritismo porque ele não precisa
disso, mas com único objetivo de compartilhar tais reflexões.
Sou espírita,
sim. E isso não me faz nem melhor e nem pior que os outros. Mas é esse o
Caminho, que já existia ao tempo de Pedro, dos primeiros cristãos, que tem
salvado das trevas, por exemplo, a minha vida desde os meus 17 anos.
O que sugiro, se
é que posso fazê-lo, é que cada um encontre o seu Caminho, porque eles são
muitos, desde que com Cristo Jesus, que melhor atenda às suas necessidades, as
espirituais, porque são elas que contam, uma vez que somos espíritos momentaneamente
na condição humana. Cá estamos, mas não estaremos para sempre.
Diálogo Imaginário:
Um ser bastante evoluído pertencente a uma raça superiora,
habitante de um mundo bem mais evoluído que o nosso é questionado sobre a
possibilidade de sua gente interferir diretamente na sociedade humana,
estabelecendo aqui uma nova ordem de coisas fundamentada na justiça, no amor, na
bondade, enfim, repleta de virtudes. Ao que ele responde: Por que e como
haveríamos de fazê-lo, se vocês humanos, irmãos que são, ainda se ofendem, se
agridem, se matam?
segunda-feira, 10 de junho de 2013
O MUNDO DE FRANCIS
Filme recém lançado, reacende o
interesse pela vida e obra do escritor norte-americano Francis Scott Fitzgerald
Em cartaz nos cinemas do Brasil (ao
menos nos melhores) o filme O Grande Gatsby, título homônimo do romance do
escritor norte-americano Francis Scott Fitzgerald (1896-1940), publicado pela
primeira vez no longínquo 1925, durante o período que passou à história como os
Anos Loucos.
Esse período alucinante do século 20 que
teve início logo após o término da 1ª. Guerra mundial, inicialmente tratou de
sepultar de vez a velhota e decadente Belle Epóque que mais nada podia oferecer
de bom e de belo aos amantes das artes, agora sedentos por novidades tecnológicas
e fortes emoções, e dispostos à exaltação do “eu” a todo a custo, num evidente
egoísmo exacerbado que, compartilhado por muitos, principalmente aos que
habitavam os grandes centros como Paris, Londres, Berlim, New York e Chicago
davam a esse comportamento um falso ar de naturalidade.
Ao som do poderoso e carismático jazz,
tais pessoas lotavam cassinos, salões de dança e cabarés. As mulheres,
geralmente sorridentes, ousavam como nunca mexer os quadris e colocar
tornozelos e pescoços à mostra, para o deleite dos homens, que, em troca de
tórridos momentos de amor, não se importavam de expor sua intimidade e
comprometer suas existências nas mesas de jogos, restaurantes e nas camas de
bordéis, acumulando dívidas jamais pagas.
O que a sociedade vê hoje com certo
repudio, mas não menos interesse, já naquele tempo era costume. Homossexualismo,
prazer a qualquer custo, mulheres bebendo muito, homens sonhando muito mais
ainda e realizando pouco.
Os Roaring Twenties (Anos Loucos) terminaram
em uma estrondosa queda de cara no chão, tão bem conhecida por aqueles
acostumados com uns muitos goles a mais. Pra ser mais exato, em 1929 com o
episódio conhecido como o Crash da Bolsa de Valores New York que fez muitos
sonhadores e outros tantos irresponsáveis retornarem à triste realidade do
cotidiano em que a felicidade, exatamente por ser o bem mais precioso, sorri
para bem poucos.
Mas para o autor de O Grande Gatsby, a
felicidade – se a conheceu mesmo – talvez tenha terminado um pouco antes, como sugere
o também escritor e seu contemporâneo Ernest Hemingway no bastante apreciável Paris é uma Festa. No aspecto tragédia
da biografia de ambos, a diferença é que a via crucis de Hemingway teve uns
quilômetros a mais.
No tempo em que esses escritores
conviveram em Paris, Fitzgerald confidenciara a Hemingway que seu romance O Grande Gatsby, apesar de apreciado
pela crítica especializada não ia lá muito bem de vendas. Coincidentemente o
mesmo se dá com o filme em cartaz. A mais recente das muitas versões que a obra
literária teve para o cinema, a mais conhecida até aqui, a de 1974, com Robert
Redford e Mia Farrow nos papéis principais.
Em seu tempo, Fitzgerald se dividia
entre o seu talento natural para escrever histórias, muitas delas publicadas em
revistas como a Saturday Evening Post,
e os porres homéricos de sua esposa Zelda, em cujo grau de paridade ele não
ficava nem um pouco atrás. Algo mais sobre esses episódios recomenda-se a
leitura do delicioso O Leitor Apaixonado,
de autoria de Ruy Castro, Cia. das Letras, 368 págs.
A trama central do romance O Grande
Gatsby gira em torno do desejo e conquista de Jay Gatsby em amealhar fortuna e
ascender socialmente na esperança quase uma certeza de que isto lhe dê as
credenciais para conquistar Daisy que o rejeitara no passado, quando ainda
jovens, ele, um ex-combatente, exímio atirador, durante a primeira guerra
mundial, ela, uma fina e recatada (até a página 2) senhorita da alta sociedade.
Como todo bom romance há histórias
paralelas interessantes em O Grande
Gatsby. É tocante, por exemplo, a cena em que o pai do personagem principal
vai ao encontro do filho no final da narrativa.
Francis Scott Fitzgerald, oriundo da
classe média alta, ex- aluno de Princeton, ex-combatente da primeira guerra
mundial, era um refinado estilista da palavra. Para Ernest Hemingway, o talento
de Scott era tão espontâneo como o desenho que o pó faz nas asas de uma
borboleta. Da lavra do autor de O Grande
Gatsby, saíram outros bons romances, como Este Lado do Paraíso (This Side of Paradise, 1920), Belos e Malditos (The Beautiful and
Damned, 1922), Suave é a Noite
(Tender is the night, 1934) e O Último Magnata (The Love of the last tycoon,
1940), este último inacabado, mas que a exemplo de O Grande Gatsby, levado às
telas do cinema, em 1976, reacendeu o interesse pela obra literária do
escritor.
Numa analogia bem simplista pode-se
dizer, que Philip Roth, considerado o melhor romancista norte-americano das
últimas décadas, seria por assim dizer um Wolkswagen, 1969, se comparado ao
Lincoln Continental que foi Francis Scott Fitzgerald, o melhor ficcionista de
sua geração, melhor até mesmo do que o Nobel (1954) Ernest Miller Hemingway. Nem
tanto no quesito imaginação, no qual se equiparavam já que muito do que
escreveram fora autobiográfico, mas, principalmente, no fino trato com a
palavra escrita e suas inúmeras possibilidades nas construções de frase e
períodos. Onde Hemingway parava, ou seja, nas frases curtas, afirmativas, na
narrativa geralmente linear, Fitzgerald ia além.
Mais uma vez mal comparando, a escrita
de Hemingway, principalmente os diálogos onde ocorre boa parte da ação, tem o
ritmo frenético do jazz, e a de Fitzgerald a cadência envolvente e apaixonante
do passo dublê, de rosto colocado, quando se fecha os olhos e se deixa levar
pela emoção e se delicia com tudo aquilo que de bom esta emoção pode
proporcionar.
Baseado em seus dramas pessoais, que não
foram poucos, Francis Scott Fitzgerald retratou como ninguém os anos loucos de
sua época. Melhor saiu-se nos contos que nos romances, como se pode constatar
em Contos da Era do Jazz (Thales of
the jazz age, 1922) e The short stories
of F. Scott Fitzgerald, 1989.
No final da vida, já derrotado pelo
álcool tentou redimir-se perante o público e perante sua própria consciência,
trabalhando anonimamente como roteirista em Hollywood. Mas já não era mais a mesma
coisa, cinema não é literatura, e ele já não era mais o mesmo.
Curioso, entretanto, é observar que o
mundo pintado com palavras por Fitzgerald, tem muito a ver com o mundo de hoje,
dominado por pessoas egoístas, que projetam nos outros sua própria felicidade,
ainda que para isso tenham que dominá-los e possuí-los. Mundo das modernas
tecnologias que, se proporcionam conforto ao invés de aproximar distancia as
pessoas. Mundo onde a dança ainda provoca frêmitos, ainda que ao embalo de
músicas menos inteligentes e menos interessantes. Mundo onde o prazer maior da
vida parece mesmo ser o sexo e o deleite em entornar garrafas e mais garrafas,
não exatamente de um bom uísque, um bom vinho, um inebriante champagne, mas uma
cervejinha bem gelada.
Enfim, como há quase cem anos, vive-se
apenas para o hoje, não se tem certeza de absolutamente nada, embora se se
acredite saber de tudo. A noite continua sedutora, os romances uma fuga, e o
amor, terrivelmente decepcionante e destruidor. Como se vê nada mudou. O mundo
de Fitzgerald e os de sua geração, de lá para cá, não saiu de cena.
***
“Não
se escreve por se querer dizer alguma coisa, escreve-se porque se tem alguma
coisa para dizer” – F. Scott Fitzgerald.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
NO DRINK
Alcoolizar-se é fugir à realidade
E fora da realidade não se resolve nenhum problema
Alcoolizar-se é fragilizar a alma
Destruir o corpo
É implodir a semente de luz de um ser inteligente
que pensa e cria: você
Alcoolizar-se não é companhia é algoz ao qual se
submete deliberadamente
Sem que sobre os ombros pese culpa
Sem que a consciência acuse
Alcoolizar-se é matar-se lentamente
Imaginando tornar-se herói
Se causa estímulo, exige, porém, aniquilar
A possibilidade de uma vida abençoada e abundante
Não vá por esse caminho
Não se iluda
Não houve até hoje quem se entregasse ao vício
E experimentasse felicidade e paz
Lembre-se que quando você destrói algo que não lhe
pertence
Terá de reconstruí-lo
E é difícil, penoso, leva tempo
Imagine como será então reconstruir o que lhe
pertence:
Sua vida
terça-feira, 4 de junho de 2013
FINISH MIND
segunda-feira, 3 de junho de 2013
BICHO HOMEM
Não acredito no desaparecimento do livro no formato
papel, mas em uma acomodação das várias mídias para atender às demandas do
mercado que, não desaparecem assim, da noite para o dia, vão simplesmente
desaparecendo ou adquirindo novos formatos.
Antes dos livros, as ficções eram publicadas nos
jornais da época sob a forma de folhetim. Quando surgiu o rádio disseram quer
ninguém mais leria jornais, o mesmo se deu em relação ao rádio com o advento da
televisão, e desta, em relação ao computador pessoal.
De modo que há mercado pra tudo. Concluindo, e
reiterando, acho que tudo irá se acomodar e ocupar o seu devido espaço.
A humanidade anda a passos de tartaruga, ela
simplesmente é incapaz de transformações radicais. Porque talvez, em seu subconsciente
carrega o sentimento de culpa por ser o maior predador do meio em que vive e
pelo fato de jamais ter certeza de nada, nem de si mesmo, muito menos de seu destino.
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