Que
é você, País?
Não
entendo sua gente
Seu
litoral desprotegido, sujo
Seu
visual brega, mundano
Seu
jeito suburbano
De
café requintado e pão amanhecido
Camiseta
cavada, bermuda manchada, chinelos
Suas
cores, seus sabores
Palmeiras
esvoaçantes, poemas delirantes
Bandeira
reluzente,
Bundas
salientes, expostas, flácidas, fedidas
Que
é você, País?
Que
se faz de bom
Que
se finge humano
Que
pune, rejeita, ignora os bons
E
os que pra você, algum dia no passado,
As
mãos estenderam, lhe ensinaram o que é trabalho
E
o tiraram do esquecimento, da barbárie
De
sua insignificância periférica perante o mundo
Não
entendo você, País
Tenho
pena e, em certos momentos, tenho ódio de você
Que
dentre os seus se devora um a um
Em
pedras fumadas, vidas despedaçadas, atiradas ao nada, vidas fuziladas
Suas
mulheres de boca borrada, olhos murchos, sorriso fácil,
Suas
crianças sem vida
Seus
homens ineptos, corruptos, vadios
Seus
mestres imundos, falsos iluminados, belos hipócritas
Que
em cima de palanques ou de púlpitos tudo põe a perder
Com
discurso demente e aspecto de santidade.
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