Um escritor é aquele que flerta ou duela com os extremos. Ama demais,
procura demais, pergunta demais e caminha além do recomendável, alguns para o
abismo. É aquele que sente antes de fazer sentir. É como o pelicano que tira da
sua própria carne para alimentar a prole. O escritor vai além. Ele tira do seu
próprio espírito, mesmo sabendo que aquilo que tira jamais poderá ser
recolocado. O escritor é como o guardião do templo que batalha só. E mesmo
depois de seu exército ter se rendido, ele continua a lutar. E vai baixando sua
guarda, até se ver completamente indefeso. É quando sucumbe. E conhece a
tragédia pessoal. Porque o escritor é feito dela.
O escritor é o rei que abdica do trono que é sua vida em favor da vida
de outros que sequer conhece, mas que dele dependem para saciar a fome e a sede
de seus espíritos.
Para mim, um escritor que desisti de si tem mil anos de perdão.
Trecho de “O
Intermediário” – de minha autoria, ainda inédito.

Nenhum comentário:
Postar um comentário