Amo as
pessoas que excedem
Amo os
pecadores
Amo os
impuros, os sedentos de amor, os incompreendidos
Amo o cair
do pano, a nona hora, quando tudo termina
Amo os
umbralinos, lugar melhor não há de se encontrar poesia
Amo os
poetas e a poesia
A poesia
cantada, musicada, declamada, a poesia
Amo os que
se recusam, os que dizem não
Amo os que
rasgam o véu da intolerância e da incompreensão
Amo os
perdidos
Os que sem
rumo vagueiam, são filhos de Deus, muito mais
Do que
aqueles que se acham... Filhos... de Deus,
Amo a vela
se apagando, o último suspiro
O derradeiro
acorde, a letra final, o ponto final
Amo tudo o
que é contra, tudo o que vai em sentido contrário
Amo a
revolta, desconfio da humildade, travestida de hipocrisia
Amo a
coragem, dos que se atiram à vida
Presente em
cada momento, cada olhar, cada respiração
Cada não que
se recebe daqueles que tem o poder
Efêmero,
temporário, transitório, reles poder
Amo a página
acabada, a página virada, a rima esquecida
A palavra em
suspenso, a ideia contida
Que desce
latrina abaixo
Toda vez que
a inspiração se transforma em desilusão
Um copo,
dois copos, decepção
Amo a
vontade parida, na realidade dorida
Amo o amanhã
que sempre chega e nada traz
Nada de
novo, e de belo, nada.
Amo a Deus,
mesmo sem saber o que é, seja lá o que for
Se tudo ele
começou, saberá como terminar
Amo, amo
sim, muito, quem se dispuser, depois de mim
Apagar a luz
Amo a
independência, a mentira
Amo os
livros que nunca leio, que tomo e não devolvo
As roupas
esquecidas no armário, os calçados debaixo da cama, empoeirados
Amo o alimento
estragado, repasto dos cães, perdidos na noite, já fui um deles
Eu sou um
poeta, um escritor medíocre, mas verdadeiro, não esperem outra coisa de mim
Boa noite
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