Pode parecer exagero, mas é fato. Nunca se viu tanta
gente angustiada e deprimida como atualmente. É de se perguntar por que isso
ocorre. E talvez, para ter a resposta, ou várias delas, seja preciso que
façamos algumas perguntas inconvenientes.
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| Reprodução |
A primeira delas é: nós nos conhecemos, mesmo? Não
me refiro ao nosso nome de batismo, número do RG ou da previdência social. Mas
àquilo que realmente somos. Seres inteligentes, capazes, sensíveis, pensantes,
individuais, vivendo a experiência da vida humana e com uma única certeza, esta
experiência terminará um dia, independentemente da nossa vontade, do melhor que
tenhamos feito (dirijo-me aos comprometidos
com a responsabilidade com a qual a vida humana pode ser encarada, aqueles que
trabalham arduamente para o seu progresso e o da coletividade), ou do que não
fizemos simplesmente, por livre e espontânea falta de vontade, falo agora aos
indiferentes.
Se existe algo depois da vida humana, ótimo,
significa que poderemos de algum modo nos aperfeiçoar moralmente e
intelectualmente, preservando a nossa individualidade. Se não existe, ótimo
também, porque significa que não iremos dever nada a ninguém, nem ninguém a
nós. Estaremos quites.
Outra pergunta que pode ser feita para nosso melhor
entendimento quanto à angústia que acomete grande número de pessoas atualmente
é: sabendo que temos hora e data para terminar a nossa experiência humana,
ainda que não saibamos quais sejam, por que ocupamos grande parte do nosso
tempo com preocupações sobre acontecimentos que jamais ocorrerão, porque se
limitam ao campo das hipóteses? Por que tais acontecimentos hipotéticos nos
impõe medo, nos limitam em nossas ações e nos causam perturbação?
O que nos torna apressados, se atualmente as
distâncias podem ser percorridas das mais diversas formas e em menor tempo do
que décadas atrás?
Acumulamos objetos que jamais iremos usar. Temos
medo de compartilhar o que possuímos, sob o pretexto de que nos falte. Criamos
necessidades que, em verdade não temos, ou aceitamos passivamente as que nos
são impostas. Assim, abdicamos do nosso direito de escolha.
O fato de não alcançarmos determinado objetivo a que
nos propusermos deixa-nos irritados, nos convence de um fracasso a que demos
causa. Não conseguimos perceber que o que chamamos de fracasso é apenas mais
uma etapa de um trabalho ainda não concluído e que certamente exija correção,
mais atenção, mais dedicação de nossa parte.
Depositamos em mãos e corações alheios a nossa
felicidade. A nossa! Imagine! Que desapego de nossa parte àquilo que de mais
caro, único e precioso possuímos: a nossa felicidade.
Sim, porque, em relação às outras coisas, como,
opiniões, ideologias e pontos de vista, por exemplo, nós brigamos feito feras
famintas. Mas a felicidade, ora, não é deste mundo. Quem disse isso? Mas é
claro que é! E ela não está nas outras pessoas ou nas coisas que podemos
conquistar e possuir, mas nas conquistas de valor moral e intelectual, que nos
tornam pessoas melhores, de dentro para fora, tornando-nos simpáticos e
queridos pelas pessoas de bem, e respeitados pelas pessoas más.
Felicidade é o oxigênio que nos faz respirar
espiritualmente. E é possível a todos nós. Cada pessoa tem o seu valor, a sua
habilidade, o seu dom, basta descobri-los. E para fazê-lo é preciso colocar-se
em movimento, conhecer a si mesmo, esforçar-se, persistir, amar-se.
A grande sacada da vida não é o embate, físico ou de
ideias, mas o respeito às adversidades, a paz, a harmonia. As leis naturais que
tornam a vida possível sob todas as formas, e sem as quais nada somos, nada
podemos e sequer existiríamos, têm um ponto em comum: o equilíbrio.
O leitor pode estar se perguntando que autoridade
tem esse sujeito para escrever sobre essas coisas. Bem anote aí: Feito você,
estou matriculado na escola da vida. A diferença entre nós é que talvez eu
tenha prestado mais atenção às aulas e procurado refazer a lição, ainda que às
duras penas. Isso não me coloca em situação de vantagem ou superioridade diante
de você, nem me impede, porém de lhe desejar: Boa sorte! Seja feliz! Não com
aquilo que você tem ou imagina possa ter. Mas com aquilo que você já se tornou.
Espero tenha sido algo de bom. E se ainda não foi, continue, esforce-se,
corrija-se, livre-se do que não lhe convém, evite o que não presta, já que
estamos mesmo por aqui, vivendo a experiência da vida humana, tornemos nossas
vidas o melhor possível para nós, sem prejudicar a ninguém. Sejamos felizes!

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