Sejamos honestos.
Certamente não existiríamos como país no mapa do mundo, não fosse Napoleão
Bonaparte. Aprendi no livro “1808” do jornalista Laurentino Gomes que fora “La-Paille-au-Nez”, ou troque tudo isso por
simplesmente “Palha no Nariz”, (apelido do velho e bom Napoleão, na infância),
quem pusera D. João VI pra correr. E tão grande fora a pressa do nosso
simpático reizinho gorducho que ele se antecipou aos fatos, vindo para o
Brasil, digo as Terras de Santa Cruz, talvez, desnecessariamente. Mas quando
viu a burrada aí já era tarde. Gomes não afirma a derradeira suposição em
momento algum de seu precioso livro, mas cá com meus botões, ora, pois, acho
que a dona Carlota, jamais perdoara o Joãozinho por sua decisão precipitada.
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| Reprodução |
Pra começar, vamos de
lugar-comum: Stefan Zweig tinha razão ao definir o Brasil como país do futuro.
Mas de minha parte acho que o escritor austríaco, que igualmente escolhera o Brasil
para fugir dos seus dramas, fora profético, se considerarmos que futuro é o
tempo que jamais se realiza, mas cuja possibilidade serve pra encher de esperança
as boas alminhas tementes a Deus.
Pra ser objetivo e
certeiro: enganam-se os que acham que tirando a dona presidenta do Palácio da
Alvorada resolveremos os nossos problemas. Ao contrário, é bem provável que iremos
aumentá-los. Estaremos na prática oferecendo nosso pescoço para outro carrasco.
Apenas isso. E com um agravante. O novo algoz, ao contrário do anterior, não se
preocupará de nos oferecer pão e água, antes da execução.
É bem provável que os
avanços sociais conquistados em 14 anos de governo esquerdista irão sendo
subtraído aos poucos, sob o argumento de que o país não comporta esbanjar
tantos recursos para continuar a bancá-los.
A elite que está próxima
de voltar a governar o Brasil tem ojeriza por pobre semelhante a que tem por insetos,
roedores e animais peçonhentos. São pessoas de mentalidade conservadora,
portanto, nada progressistas. São de viés econômico liberal, ou seja, chore a
sua mãe a minha não. Ela é formada basicamente por banqueiros e donos dos mais
poderosos meios de comunicação social. Ou seja, ela decide o que será feito da
riqueza que o trabalhador (leia-se povo) produz, uma vez que governo nenhum
produz riqueza alguma, embora dela se beneficie. Essa elite também forma
opinião (já formou muito mais, antes do surgimento das redes sociais, é preciso
admitir). Esses dois canhões, bancos e mídias, nas mãos de gente indiferente às
necessidades das minorias servem na melhor e mais amena das hipóteses, como
elementos controladores e determinadores dos destinos da sociedade.
O leitor dirá que a
causa maior através da qual se luta para depor a dona governanta é o combate à
corrupção que assola as finanças do país. Ótimo. Mas achar que a simples troca
de governante irá acabar com essa praga que também é uma tendência natural do
brasileiro é ingenuidade, beira a estupidez. Basta lembrar que, até pouco
tempo, quando tudo ia bem, a corrupção que sempre existiu nestas Terras de
Santa Cruz, desde os tempos de Mem de Sá, Tomé de Souza e Duarte da Costa, não
incomodava nenhum pouco. Para muitos inclusive, era um ideal de vida a ser
alcançado. Agora, porém, que a maioria
dos brasileiros sente no bolso os efeitos nocivos da corrupção, tornou-se esta prática
nefasta como a caça a ser abatida.
O fracasso do projeto
de poder esquerdista foi ter bebido e se embriagado da mesma água contaminada
que a elite econômica sempre fez uso. A diferença é que referida elite, de
tanto fazê-lo, desde tempos imemoriais, dela se tornou imune.
Uma vez no poder e para
nele manter-se, a esquerda brasileira perdeu-se na necessidade de cooptar a
todos quanto possíveis em torno de si e em seu benefício, e por tal motivo
acabou como que vendendo a alma e as cuecas ao diabo, contradizendo-se a si mesma,
praticando tudo o que sempre condenou, atirando por terra a confiança dos seus
idealistas e genuínos apoiadores, também daqueles que se deixaram levar por suas
promessas adiadas indefinidamente, bem ao estilo socialista.
Mas, oportuno lembrar
que, para chegar ao poder, a esquerda brasileira teve antes que beijar a mão
dos donos do dinheiro. Estes dela se utilizaram para aumentarem ainda mais o
seu poderio econômico, o seu lucro, a sua influência e poder de manipular e decidir,
e conseguiram, basta ver, por exemplo, os lucros auferidos pelos bancos a cada ano,
nos últimos 14 anos.
Quem já estudou alguma
coisa sobre o Socialismo Fabiano, sabe que os donos da bufunfa agem assim
mesmo. Não se preocupam com quem senta no torno, porque sabem que nem este e
nem o trono por si só não lhes representa ameaça.
O finado comunista Ernest
Hemingway, escritor americano, autor entre outros, de “Por quem os sinos dobram”, romance ambientado durante a guerra civil
espanhola (1936-1939) dizia com conhecimento de causa que o melhor da festa é
esperar por ela.
Parece que, por ora, a
festa para os seus companheiros do Brasil, acabou. Mas, fica o consolo e a
certeza da substancial folha de serviços prestados algo que, poderá, no futuro,
servir de pretexto para uma nova convocação por parte daqueles que de fato
mandam porque possuem em quantidade inimaginável aquilo que tudo torna possível
e tudo transforma, aquilo que de fato tem valor numa sociedade, em sua
esmagadora maioria criada e mantida apenas para obedecer, produzir riqueza e consumir
migalha: o dinheiro.
* Publicado na edição de 16/4/2016, à pág. 2 no Jornal Diário do Rio Claro.
* Publicado na edição de 16/4/2016, à pág. 2 no Jornal Diário do Rio Claro.

O problema é que, o "bolo" (R$ arrecadado) está pequeno demais para tanto "ratos" (corruptos). Sem esquecer que a corrupção está no sangue da maioria dos brasileiros (suborno no trânsito, sonegação tributária ao não exigir Nota Fiscal, "caixinha" para ser benificiado, uso de pessoas influentes para resolver problemas pessoais, enfim o jeitinho brasileiro em tudo...)
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