O cidadão brasileiro, qualquer que seja o seu nível
social, grau de instrução, opção sexual, fé religiosa, ideologia política,
escola filosófica com a qual mais se afina, não deve se omitir diante do grave
momento político, econômico e social que o país atravessa.
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| Reprodução |
A corrupção, que, infelizmente, grassa no Brasil, desde
suas origens, sempre foi tolerada, mas, agora, em face às manifestações das
ruas, e muito antes destas, a partir do descontentamento, da indignação que
aflorou no ânimo do povo brasileiro em tempos recentes, através de iniciativas
isoladas, que foram se espalhando e conquistando adeptos, nunca esteve tão
acuada e sob a mira dos cidadãos de bem que, ainda é a maioria, embora as
evidências em contrário, oriundas da desigualdade com que os fatos ruins
circulam no noticiário mais abundantemente que os fatos bons tentem desmentir.
Atirar pedras, pedir cabeças, atiçar lenha à fogueira,
fomentar discórdia com palavras e atos impensados em absolutamente nada
contribuirá para a erradicação da corrupção, solucionando de vez este problema
que é o mais grave do Brasil, e que impede o seu progresso do tamanho que
merece a sua laboriosa população que não mede esforços para pagar seus
impostos, tributos, contribuindo assim com um Estado que a ela não devolve como
deveria em benefícios de caráter público de modo equivalente.
Se a classe política é em sua maioria essa aberração, não
passa de fiel retrato daqueles que a elegem e reelegem. Através do voto o cidadão
dá como que uma procuração àquele que se candidata para o cargo público, seja
no âmbito executivo ou legislativo.
Portanto, não se mudará a realidade da classe política, enquanto a
sociedade não se aperfeiçoar moralmente o bastante para promover esta mudança.
Sejamos honestos, o comportamento que abominamos de um
político, o principal, a prática da corrupção, teríamos nós, muito
provavelmente, nos deparássemos em situação idêntica, porque no fundo, ainda
temos a tola ideia que ser feliz é acumular bens, ter qualidade de vida,
durante nossa fase produtiva e uma aposentadoria livre de preocupações. O que
podemos alcançar trabalhando duro e honestamente, mas ainda prevalece entre nós
a ilusão de que podemos atingir tal condição baseando nossos atos na lei do
menor esforço.
De sorte, o progresso, independentemente da vontade
humana, ele acontece. Gerações se sucedem umas às outras, introduzindo novos e
melhores hábitos. Que tudo passará e que a solução para tudo virá não resta a
menor dúvida. Mas tenhamos consciência que essa fase de transição pode ser
menos dolorosa, levar menos tempo, se nos esforçarmos para sermos menos
orgulhosos, menos egoístas e mais fraternos.

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