Você despediu-se da sua esposa pela manhã com um beijo? Ligou
pra namorada no caminho ao trabalho pra lhe desejar um bom dia e lhe dizer que
a ama muito? Pensou naquela pessoa que você tanto gostaria de ter ao seu lado,
enquanto escovava os dentes ou penteava o cabelo diante do espelho? Lembrou da
primeira namorada enquanto abotoava a camisa? Sim, a primeira namorada, aquela
do beijo inesquecível. A mesma que implicava quando você vestia camiseta, jeans
e tênis, pra ir ao baile, à festa, ao cinema, porque ela passara toda tarde de
sábado preparando especialmente pra você aquele vestido lindo, sensual, cujo
figurino ela copiara da revista de moda que a mãe dela comprara na banca de
jornal?
Nada disso? Então, meu caro, me perdoe, mas você não é um
sujeito romântico. Agora me pergunte o que você perde com isso. Perde o que
poderia ser os melhores momentos de sua vida.
Houve tempo em que a primeira coisa que rapazes e moças
aprendiam pra ter uma vida social agradável e participativa era dançar. Todos
os ritmos possíveis. No meu tempo, tudo bem, exigia-se menos. Nos anos 1980 e
qualquer coisa, eram os dois passos pra cá e dois pra lá, das músicas lentas,
indispensáveis pra não passar em branco nas discotecas dos clubes sociais da
cidade. E uns passinhos de Michael Jackson, Boy George... Nada mal!
Bastava. Porém, foi o início da decadência do romantismo.
Porque toda a sabedoria desse aspecto indispensável da vida humana que
herdáramos de nossos pais, no que diz respeito a ser gentil, elegante, social,
agradável, educado, galanteador, não absorvemos, não cultivamos, apressadinho
que éramos e, portanto, não passamos adiante aos nossos filhos.
O romantismo é um valor que precisa ser resgatado por nós. Até
pra tornar o mundo mais humano e menos violento. Não se trata de sofrer por um
amor não correspondido. Nada disso. Trata-se de valorizar e viver em toda a sua
intensidade os momentos íntimos, lúdicos, doces, da vida, ao lado ou mesmo
distante da pessoa que amamos. Não se deve exigir de nossa parte ou da parte do
outro que esse amor dure para sempre. Talvez dure uma semana. O meu, se devo
confessar, durou 30 dias, e faz tempo. Vinte e seis longos anos. É daquelas
coisas que se vive uma vez e nunca mais.
Eu tinha um amigo que dizia que deve se viver os momentos
bons da vida intensamente. E ele não escrevia livros, nem se chamava Jack
Kerouac. Tão pouco morreu feliz. Mas acredito que marcou a vida de cada uma de
suas namoradas nos seus 21 anos de existência.
Porque, de fato, é isso o que importa: ser importante na vida
de alguém, de modo que essa pessoa, quando de nós se lembrar possa oferecer um
sorriso ao seu passado. Talvez ofereça uma flor.
* Crônica publicada no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 21/9/2014, à pág. 2
* Crônica publicada no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 21/9/2014, à pág. 2

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