Quando eu tinha ainda
19 anos de idade e todas as ilusões do mundo, um senhor companheiro de
trabalho, o Sr. C., pessoa já muito vivida, experiente, de grande conhecimento
em termos sócios culturais e políticos, vendo o ímpeto com o qual eu debatia
minhas ideias, ele esperou que eu terminasse a discussão, e, depois, chamou-me
para uma conversa reservada. Disse-me ele: “Muito louvável de sua parte, eu
também já tive a mesma idade que você e as mesmas ilusões. Mas, vou lhe dizer
uma coisa e não me leve a mal: Não adianta. E não adianta, porque todo homem
tem seu preço”. Confesso que à época
refutei a afirmação. Hoje, não tenho a menor dúvida em relação a ela. E devo
admitir que o Brasil com toda a ignorância e alienação de sua gente muito
contribuiu para isso. Na política brasileira, todos têm seu preço, todos se
vendem, sem o menor escrúpulo. As pessoas que se interessam por política são
aquelas dispostas a tudo. Ousam afirmar que isso é do jogo político. Jogo? Ao
se admitir que política é um jogo então se admite a possibilidade da trapaça.
Que tipo de política vai resultar disso? Essa que se tem no Brasil, que, aliás,
sempre se teve. Servir ao povo por meio do poder político obtido
democraticamente através da vontade da maioria expressa no voto, jamais. O que
prevalece é servir-se do povo por meio do poder político “obtido
democraticamente” através da vontade da maioria expressa no voto.
Quando se vê uma sigla
(me recuso a chamar de partido) como o PP declarar apoio à dona Dilma em nível
nacional, rejeitando a candidatura do deputado Bolsonaro e através do Sr. Paulo,
apoiar o Sr. Padilha ao governo do estado, conclui-se (como se isto já não
fosse possível antes) que coerência e ética político partidária é simplesmente
uma ofensa em se tratando de Brasil, onde, como dissera anos antes meu estimado
companheiro de trabalho o Sr. C., todo homem tem seu preço. Que preço!
Pra pior, se possível
seja, o foco do debate eleitoral presidencial deste ano será: quem é menos
ladrão? As soluções para os insanáveis problemas que atinge a todos os
brasileiros: segurança, educação, transporte e saúde pública virão das
promessas elaboradas pelos gênios marqueteiros com suas lindas e comoventes
campanhas onde não faltarão testemunhos emocionados e musiquinhas pegajosas e
piegas, desprovidas de bom gosto.
Eu não sei vocês, mas
estou enojado de tudo isso. Não darei meu voto a ninguém. Até porque não aprovo
o atual governo e não vejo oposição que justifique o termo. Uma vez que todos
os candidatos são alinhados à esquerda. Pois a direita no Brasil só existe no
museu (por enquanto) e na iniciativa de alguns idealistas do meio da
comunicação social e da cultura, que se expressam na internet, o que não é o
bastante para promover qualquer tipo de mudança, sequer de pensamento
dominante.
Mesmo que, em
considerando um cenário utópico, a mudança fosse possível e de fato ocorresse,
não seria garantia de que traria benefícios ao povo. E isto porque as pessoas
de bem, de boa índole, moral ilibada, que agem com ética não se interessam por
política, portanto não ocupam espaço nos quadros políticos, e quando tentam
fazê-lo são pressionadas a renunciar suas melhores intenções, através de um
processo constante e agressivo de convencimento por parte das velhas cobras
jararacas que usam da política para o seu próprio benefício e benefício dos
seus.
Nenhum comentário:
Postar um comentário