Quando entrar setembro e a boa nova andar nos
campos
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar
Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor
só nos resta aprender...
Quero ver brotar o perdão onde a gente plantou juntos outra vez
Já sonhamos juntos semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz no que falta sonhar
Já choramos muito, muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar uma nova canção que venha nos trazer
Sol de primavera abre as janelas do meu peito
a lição sabemos de cor
só nos resta aprender...
Chega setembro e a
música Sol de Primavera, de Beto Guedes, lançada em 1980, e cuja letra
reproduzimos acima, é a primeira coisa que vem à mente. E traz consigo
lembranças de um menino que aos 11 anos de idade, cursando a 5ª. série do
Monsenhor Martins tinha como única preocupação na vida não ficar no vermelho em
Matemática.
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| Reprodução |
O menino cresceu e 33
anos depois, cansado de brigar consigo mesmo, busca o que todo homem na casa
dos 40, imbuído de sensatez, procura fazê-lo: aquietar o seu espírito,
equilibrar sua mente, valorizar apenas aquilo que a vida oferece de bom e de
bonito.
E olha que são tantas
coisas que passam despercebidas dos nossos olhos sempre voltados para aquilo
que achamos interessante, novidade, e oportuno à nossa satisfação pessoal
efêmera e pueril.
Afinal, não queremos,
não podemos ficar para trás e esquecidos, mesmo que para isso tenhamos que
deixar de ser humanos e sermos manequins para continuarmos expostos na vitrine
da sociedade que exige cada vez mais de nós.
Mas não é isso que
conta para a nossa felicidade. Se o inferno de nossas vidas são os outros, a
felicidade está em nós. Esta é a boa notícia. Não dependemos de ninguém para
sermos felizes. Ninguém. Dependemos apenas de nós mesmos.
Meu pai um dia
escreveu que logo às sete da manhã recebia à sua porta o jornal, como a um
amigo querido a visitá-lo todos os dias, contando-lhe as coisas desta vida, a
confortar a sua ânsia de saber. Não se lembrava quando havia adquirido o
hábito, talvez, na juventude, tanto tempo fazia, e que se acostumara toda manhã
tomar o seu cafezinho com ele, o jornal, aberto ao lado, enquanto devorava as
novidades antes de ir ao trabalho.
Novidades que hoje
estão a um clique das teclas dos computadores que já trazemos nos bolsos. Não é
preciso esperar pela manhã. E o cafezinho pode estar ao alcance das mãos, deteriorando-se
e perdendo seu sabor em uma cafeteira elétrica.
Todos nós temos o
nosso tempo. O nosso próprio tempo, como já dizia o Renato. E talvez a maior
dificuldade que encontramos para sermos felizes é entendermos e aceitarmos
isso.
Minamos a nossa
saúde, sem ao menos percebermos, quando nos irritamos com a música que toca no
rádio e não nos agrada, com a derrota do nosso time, como se os jogadores e
dirigentes soubessem que existimos. Com o comportamento do colega de trabalho,
de escola e mesmo de um membro da família, esquecendo-nos muitas vezes de que a
justiça da vida consiste no fato de que colhemos o que plantamos.
Sim, não podemos ser
indiferentes e omissos, mas também não devemos atrair para nós problemas e
responsabilidades que não nos pertencem.
Acho que deixamos de
ser felizes, quando desejamos viver aos 40 anos como se tivéssemos 20, quando
exigimos que o mundo hoje, seja o mesmo de quando tínhamos 10 anos.
Deixamos de ser
felizes, quando nossos olhos se voltam para a vida alheia e esquecemos olhar
para dentro de nós mesmos, porque em nossa consciência está o registro
inexorável de todos nossos acertos e erros. Os primeiros a nos estimular o
aperfeiçoamento, os segundos, a nos exigir correção.
Precisamos ser um bom
profissional, é claro, mas não podemos nos esquecer que antes de sê-lo,
precisamos ter bom caráter, porque somos Espíritos eternos, antes de sermos
humanos, antes ainda de sermos trabalhadores, professores, políticos, atletas e
doutores.
Que o sol de
Primavera, que é o mesmo sol de sábado, aquele jamais ausente como dizia o Seu
Geraldo, por acaso nascido em Setembro, nos traga luz e esperança. Estímulo
para plantarmos e semearmos o que é bom, o que realmente vale a pena, o que
está em acordo com a nossa consciência, o único tribunal da vida que não
podemos ludibriar.
Sejamos felizes com
aquilo que somos e aquilo que temos, porque o que temos o tempo levará, e o que
somos a nós pertence.
Afinal já choramos
muito. A lição sabemos de cor. Só nos resta aprender.

"A lição sabemos de cor", sejamos felizes.Contemplemos a Linda primavera poeta, com sua sabedoria a anunciá-la. Abçs
ResponderExcluirBela crônica Geraldo, faz a gente refletir muito sobre o passado, avaliarmos o presente para projetarmos o futuro...
ResponderExcluirAbraços!!