Esperança!
Disso se utilizam os espertos para perpetuar o seu reinado. Até quando?
Não é
uma profecia e nem duas que farão as coisas mudarem. Nem seres do espaço, nem
anjos e nem demônios, nem uma figura fantasmagórica vestida de vermelho
carregando um saco nas costas.
As
coisas só irão mudar quando tivermos vergonha de nós e deixarmos de ser
egoístas e orgulhosos. Estendermos as mãos àqueles que vêm atrás e levantarmos
os que estão no chão. Mas, por que eles estão? Perguntem-se. Para que a seu
turno, não estejam também.
Promessas?
Quantas ainda? Miséria, quanto mais?
Depende
de nós? Sim! Porque a vida não é filosofia, geografia, gramática ou matemática.
A vida é carne e osso, alma, sentimento. E para muitos que não aparecem nos sites,
jornais, revistas, tevês, é fome, necessidade, desespero, lágrimas e risos, dor
e solidão.
Ilusão. Deste ópio, falsos profetas escravizam
inocentes submissos e de boa fé. Milagres que não se realizam senão nos livros,
promessas que jamais se cumprem, correntes, loterias. Mas a fome não sacia. A
dor continua imperativa e contundente.
Se
pelo fogo, pela boca ou pela espada, é necessária a revolução de ideias e
atitudes, ações sociais, culturais, educativas, que desprendam o homem do chão,
que o faça parar de procurar a Deus lá no Alto e o descubra dentro de si. A
riqueza nas mãos de poucos, pertence a muitos. O suor de todos a construiu. E
se por ela pagaram os que se dizem donos, foi um preço irrisório, o que os
torna devedores de sua própria consciência.
Contratos
são revistos, injustiças reparadas. Leis substituídas ou aprimoradas. Assim
deve ser. A razão recomenda.
Não
falem de religião, enquanto houver uma só pessoa gemendo de dor, morrendo de
fome ou dormindo ao relento. Enquanto houver um ignorante ludibriado pelos mentirosos
parasitas que ostentam asas, derramam óleos sobre as cabeças, profetizam e se
dizem santos. E escrevem e falam o que jamais irão praticar.
Bondade
e perdão? Sim. Não há outro caminho. Vistam-se bem, imponham as mãos, declamem versos
e versículos, e estarão perdendo o seu tempo, enganando a si mesmo e muitos
outros, porque nada satisfaz a razão senão a virtude que se pratica sem nenhum
interesse próprio.
Esqueçam
os governos e os púlpitos. Rasguem os livros. Abandonem os templos. Saiam a
campo, busquem a fome, e a saciem; busquem a dor, e a amenizem, busquem a
solidão e as faça companhia. Isto é a lei. O resto é conversa de espertalhões.
E se isto
fizer poderão sorrir. Encontrarão motivos para tanto. Sentir-se-ão em paz. E,
portanto, felizes.
É
Natal. Lembrem-se ao menos uma vez e por um instante o que isso representa. E
se lembrarem, não temam, procurem entender.

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Parabéns ! Mais uma vez, você transcendeu o modismo instantâneo, clichê e midiático expressando a realidade que a alienação conveniente e confortável vive a empurrrar para debaixo do tapete.
ResponderExcluirGeraldo, você fez uma pergunta pertinente e respondeu da mesma maneira. Sóbrio, inteligente, intrigante até no momento de rasgar os livros. Eles servem de apoio não de conclusão. Você sabe o que escrever, porque sente e transmite o que é. Portanto, Natal feliz não existe, ainda. Por mais que se propague. Mais uma vez, um aprendizado completo ao ler o que escreve. Parabéns! E que o Natal seja o que diz e sonha, tornando-se realidade. Abraços!
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