Maracanã abandonado, Arena Pantanal abandonada,
Parque Olímpico, no Rio, abandonado. Qual o legado da Copa do Mundo 2014 e da
Olimpíada 2016 para o Brasil? Nenhum. Ou melhor, equipamentos esportivos que custaram
bilhões de reais aos cofres públicos, agora sucateados. Dinheiro do
contribuinte, ou seja, nosso, que foi para o ralo ou para o bolso de alguns
espertalhões, e que jamais, em que pese os esforços das autoridades, será
recuperado.
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| Reprodução |
É assustadora a capacidade que o brasileiro tem para
acreditar em promessas que se sabe jamais serão cumpridas. Vê-se isso a cada 4
anos, durante as campanhas eleitorais. Os episódios esportivos aqui mencionados
não fogem à regra.
Quando houve a escolha do Brasil para sediar a Copa
do Mundo de 2014 e depois, para a Olimpíada 2016, no Rio de Janeiro, o ufanismo
próprio de nossa natureza, fomentou o sentimento de uma possível afirmação
perante a comunidade internacional. Sim, o Brasil havia prosperado. Tanto que
poderia até se dar ao luxo de organizar eventos esportivos que outros países em
condições econômicas muito melhores desistiram de realizá-los.
E o resultado é o que se vê. E quem paga por isso?
Evidentemente que nós, os contribuintes, porque os governos não assumem responsabilidade
nenhuma perante seus nefandos atos.
O Brasil vive sua pior crise econômica, o Rio de
Janeiro, idem. É fato que o ex-governador carioca Sergio Cabral mofa na cadeia,
de onde logo sairá, não tenham dúvida. Lula e Dilma, ex-presidentes, à época da
pitoresca aventura futebolística, fazem planos para se candidatarem novamente a
cargos públicos. Ele, para presidente da república. E pasmem, pesquisas apontam
um possível favoritismo seu, que, talvez não se confirme, se a Polícia Federal
bater às suas portas por esses dias, que parecem nunca chegar, testando a
paciência e a crença na justiça dos brasileiros de bem.
Nosso futebol continua medíocre. Nossos esportes
olímpicos já se acham esquecidos por autoridades e patrocinadores que, até
ontem mesmo, lhes prometiam mundos e fundos. Vê-se o caso do ginasta Artur
Zanetti, medalhista olímpico por duas vezes (Ouro, Londres, 2012 e Prata, Rio,
2016), que é tratado com descaso pela prefeitura de São Caetano do Sul como
revelou matéria veiculada pela tevê recentemente.
Isso tudo é resultado de querer construir um
palacete sem alicerce. Ou seja, querer que o país prospere, sem o devido
investimento em educação pública, agricultura e indústria, pra falar o de
menos.
Ilude-se o povo, que adora mesmo uma ilusão. Alguns
tomam o poder, enriquecem e dane-se o resto. Uma passada de olhos pela história
do Brasil e você, leitor, verá que é mesmo assim, que a história não tem fim,
como diria Betânia.
*Publicado na edição de 11/3/2017, à pág. 7, do Jornal Tribuna 2000;
*Publicado na edição de 11/3/2017, à pág. 2, do Jornal Diário do Rio Claro.