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Cara de cavalo, pé de
breque, vai baralho (quer dizer, se você leu outra coisa não é culpa minha), mas
estas são algumas das expressões que meu irmão, se utiliza ao falar comigo. Tem
aquela outra, também: O seu bos...! – bem, fiquemos por aqui. Carlão é um cara
educado, como se pode ver. E tem um coração enorme, bem maior que o meu, devo
confessar. Mas de todos os vocativos de que ele se utiliza para se dirigir a
mim, o que mais me chama a atenção é o honorabilíssimo e indesculpável: Pé de
Breque.
Pois bem, considerando isso...
Neste mês em que completo 47 invernos, inclusive no mesmo dia que Maurício
Beraldo, o dono do Jornal Aquarius – uma salva de palmas, pro Beraldo – eu diria
que preservar as tradições e a cultura, não significa impô-las como norma de
conduta à sociedade. Mas, saber compartilhá-las, reconhecendo e respeitando a sua
importância. As coisas mudam porque as pessoas mudam e porque são substituídas.
Novidades surgem porque a evolução sem fronteira é uma das características
principais do ser humano. Com o tempo, tudo se renova. E as pessoas novas vão
ocupando o seu espaço, tomando decisões, e, aos poucos, inserindo novos hábitos
e novos costumes à sociedade humana. E isto é inevitável e é bom que seja
assim, porque a partir dessas transformações, a vida se renova e a sociedade
humana se revigora e prospera.
A minha geração, por
exemplo, que está na maturidade, em termos de valores morais, hábitos e
costumes, ainda assimilou alguma coisa da geração que nos antecedeu, a de
nossos pais e avós. Mas bem pouco e bem menos do que poderia.
Mas a geração que hoje
representa a juventude parece não ter assimilado nada da nossa. E o mais
interessante, parece não demonstrar necessidade disso. E, mais que isso, e não
sei se para o bem ou para o mal, parece mesmo desprezar deliberadamente a
importância – se existe – de assimilar os valores morais, costumes e tradições
de uma geração como a minha, que a juventude atual, sem nenhum constrangimento,
parece considerar ultrapassada. Pelo menos na história recente da humanidade –
me desmintam antropólogos e historiadores – esse parece ser um fenômeno
inédito.
Portanto, meu velho, e minha
coroa, de 40 e poucos anos de idade – sim, eu disse 40 - se você deseja mesmo
manter-se atuante e ter vez e voz na atual sociedade, adapte-se sem conflitos,
jogue o jogo, adquira novos conhecimentos, assimile novas idéias, desde que não
lhe pareçam estúpidas.
Participe das redes sociais
de modo positivo, e se bater um saudosismo, ao invés de criticar o que a moçada
curte, recorra a sites como o Memocine, o Kboing, o Youtube, vá pras tardes
dançantes da Sociedade Veteranos, aos domingos, e para as festas flashbacks, vá
às locadoras de vídeos, reúnam os amigos dos tempos de mocidade uma vez por mês
pra lembrar aquele filme, aquela música, aqueles dias, que ainda o faz se
emocionar. E sinta-se privilegiado, porque seus pais não tiveram essa chance,
de trazer no bolso do colete, pronto para dele lançar mão a qualquer momento, o
velho e bom saudosismo.
Mas, ao caminhar, porque a
vida não permite estagnação, olhe para frente, e faça como o rio, contorne os
obstáculos para que, são e salvo, em paz e feliz, na medida da sua
possibilidade e do seu merecimento, você chegue ao seu destino, satisfeito com
a vida e com a sensação de dever cumprido. E não se sinta ofendido se alguém
lhe chamar de tiozinho ou... pé-de-breque. Faça como eu, mande-o à... Como é mesmo,
Carlão?
*Publicado na edição No. 141, de Fev./2016, no Jornal Aquarius (Rio Claro/SP), á pág. 7
*Publicado na edição No. 141, de Fev./2016, no Jornal Aquarius (Rio Claro/SP), á pág. 7

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