No dia que está próximo, cairão reinos e todo o poder
político; todo arsenal de guerra será sucata inútil. Templos, casas de oração,
ginásios, estádios – os que ficarem de pé – virarão abrigos, hospitais,
refúgios; dinheiro será um pedaço de papel sem valor, não haverá o que comprar
nem o que vender. À humanidade haverá dois caminhos: dar as mãos e se ajudar,
esquecendo o que cada um é, porque isso não terá importância nenhuma, ou acabar
por se destruir a si mesma. Os que ficarem lembrarão e entenderão as palavras
de sabedoria ditas há dois mil e quinze anos. E se tiverem derrotado o seu
orgulho e o seu egoísmo, enfim poderão praticá-las. – g.j.c.jr. 24/02/2015
Direitos Autorais dos textos publicados de Geraldo J. Costa Jr. "Escrever não é a doença, é a cura". g.j.c.jr.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
ERA UMA VEZ
Volte no
tempo, olhe para a história da humanidade, desde que se fez presente neste
mundo. Sempre foi derramado sangue em nome de um punhado de terra, de direitos
usurpados e deveres não cumpridos; em nome de poder, dinheiro, fé. Sempre foi
assim. Porque assim são os seres humanos, precisam disputar entre si,
derrotarem-se uns aos outros, sobrepujarem-se uns aos outros, pra que possam se
sentir vivos, importantes, felizes. Então, dai se conclui que não há de se
passar pela vida sem enfrentar duelos e batalhas, porque é preciso sobreviver.
Portanto, não há de se passar pela vida impunemente, jamais. Há de se chorar e
fazer chorar. E felizes são aqueles que riem e fazem rir. Terão a doce ilusão
de que suas vidas valeram a pena. Ao menos um pouco. – g.j.c.jr. – 17/2/2015
Que Deus me
dê força, coragem e sabedoria para concluir a jornada e depurar minha alma. Mas
eu quero estar aqui quando tudo aquilo estiver acontecendo. Demore 4 ou 40 ou
400 anos, não importa. Quero ver acontecendo. Tudo aquilo. Tudo aquilo que vi,
ouvi e me mostraram e me disseram, em sonhos, fantasias, viagens possíveis à
sensibilidade e consciência humana; diálogos ocultos, imagináveis, havidos no
silêncio de duas almas inquietas que se falam porque se conhecem. Quero estar
aqui quando tudo estiver acontecendo, quero muito. Vindo numa caravana, ou
ainda que sozinho, porque só então é que tudo fará sentido e se tornará
verdadeiro, diante dos meus olhos. Findará a angústia, cessará a prisão, e
Valjean conhecerá finalmente o seu dia de liberdade. – g.j.c.jr. –
15/2/2015
RUMO
Eu tinha 9 anos de idade, e numa tarde nublada de um
sábado qualquer, cedendo àquela vontade louca, irresistível, a qual, desde que
me conheço por gente, me acompanha, de ir embora simplesmente, peguei umas
mudas de roupas, enfiei numa sacola plástica, saí sem ser visto (eles, os meus,
não tinham os olhos muito que voltados para mim naqueles dias), e tomei o rumo
em direção à região norte da cidade. Se tivesse ido em direção ao sul, teria
ido mesmo, e acho que jamais teria voltado, porque a região norte, partindo da Rua
4, onde eu morava, terminava na linha do trem. E em direção à região sul,
chegava-se, em determinado momento à Avenida Visconde do Rio Claro, que levava
a saída da cidade, às rodovias, enfim. O que sempre me intrigou e essa é a
pergunta para a qual jamais encontrarei resposta é que naquela tarde de sábado,
meus pais, não foram atrás de mim. Não foram simplesmente. Por quê? Sabiam que
eu voltaria? Cresci acreditando nesta resposta, que, porém, jamais me convenceu
e me convence cada vez menos à medida que o tempo passa.
– g.j.c.jr. -15/02/2015
MENTE TERMINAL
Essa coisa
de que há resposta pra tudo, isso me incomoda muito. Há coisas que são porque
são, e fatos que acontecem porque acontecem. Os aspectos subjetivos da vida são
mais poderosos e verdadeiros do que imaginamos. São eles que nos induzem e conduzem
por um caminho, que levará ao destino único de todos nós. – g.j.c.jr. – 15/2/2015
SEQUÊNCIA
A rapidez
com que tudo passa demonstra a insignificância que tudo é – g.j.c.jr.
-17/2/2015
domingo, 15 de fevereiro de 2015
QUEDA LIVRE
Por que nascer em meio a tanta ignorância?
Entre pessoas tão indiferentes ao que de mais belo
possuem
Suas letras, sua música, a vida em natureza ao seu
redor
Que castigo impiedoso é esse nascer?
Em meio à terra arrasada de sentimentos por coisas
nobres, verdadeiras
Por que pregar ao vento e difundir ao nada, ao vazio
aterrador?
Que traga para dentro de si toda vida em forma de
esperança
Por que sujeitar-se a isso?
Por que esconder de vergonha?
Por que reduzir ao nada o discurso profundo de
sabedoria?
Por que mutilar as palavras, para atender à preguiça
dos insanos desvalidos, condenados à pena de morte?
Por que silenciar quando mais alto grita dentro do
peito
Por que sufocar o gozo alucinado inconsequente que felicidade faz
Por que sufocar o gozo alucinado inconsequente que felicidade faz
O sentimento de revolta, de não aceitação, que
aspira inutilmente reverberar ao infinito
Por que diminuir-se para ser aceito entre estranhos
Por que silenciar-se para ser entendido pela surdez
e cegueira de quem se acha dono
De um pedaço de terra e de consciência, que na ordem
divina do mundo, nada representa
Por que vir para cá?
Por que apagar-se?
Por que misturar-se entre mudos e coxos?
Saudade doída, do tempo e do espaço perdido, nas
mãos da vontade de subir mais alto
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
A SUCESSÃO DOS DIAS
Neste momento, milhares de seres humanos estão conectados às redes
sociais, ou fazendo ou esperando um telefonema nesses aparelhinhos que cabem na
palma da mão. Talvez eles não se deem conta, porque é provável que isso pouco
lhes importe, mas, ao mesmo tempo em que conversam e atualizam suas informações,
estão distante das pessoas que mais amam.
Mas não é tudo. Tais seres humanos, já desistiram de seus sonhos, em nome da eficiência
solicitada pelo padrão de vida estabelecido por aqueles outros desconhecidos
(que importa se eles têm um rosto, um nome, se de fato existem; que importa?).
Não importa se são seres virtuais, vindo de outros planetas, exohumanos, nada
disso importa. Porque sejam eles quem ou o que forem, eles é que mandam, porque
de fato possuem a riqueza material do mundo e o poder de decidir sobre o modo
de vida e o destino da maioria das pessoas que habitam este planeta.
A maioria de nós, porém, permanece absorvida na ilusão da
liberdade conquistada a custa de muito esforço e sacrifício. Liberdade política,
econômica e religiosa. Liberdade que o conhecimento, o trabalho e o dinheiro
proporcionam.
Mas a maioria de nós foi ensinada e convencida a buscar o inatingível,
o que está longe, o improvável, ao mesmo tempo em que se abdica da realidade
comum a todos que é o direito de ser feliz sem depender que coisas inanimadas,
desprovidas de vida e sentimentos propiciem a felicidade possível.
Entretanto, pessoa ou coisa alguma tem o poder de fazer alguém
feliz. Porque cada um deve encontrar a felicidade em si mesmo, podendo
compartilhá-la, jamais impô-la.
Cada um de nós, seres humanos habitantes
deste planeta, somos individualidades, capazes de
escolher e decidir o seu destino. Mas não temos a exata dimensão dessa consciência.
E, portanto não exercemos essa liberdade como poderíamos. Na verdade, nos
sentimo-nos menos que seres livres e senhores de si.
Apartados espontaneamente da realidade que predomina neste mundo, não
nos consideramos à altura de nossas potencialidades. Tornamo-nos, sem nenhuma
resistência, de nossa parte, convenientes e submissos à escala de valores vigentes,
onde o ter, o superficial e as aparências, determinam o que é certo, o que é
bom e o que é necessário.
Abdicamos ao conhecimento, a educação, ao saber, sob o argumento
de que falta-nos tempo para nos dedicarmos a essas tarefas de aprendizado que,
segundo se acredita equivocadamente, não faz ninguém feliz.
E quem disso nos convence sem grande esforço, são os mesmos que
nos vendem a ideia estúpida de que o trabalho cansa, e não liberta, ao
contrário, escraviza. Então, buscamos meios de se trabalhar menos e ganhar mais
dinheiro, equação que nem mesmo Einstein, saberia solucionar.
Faltamos com o respeito com os mais experientes entre os nossos,
ignorando a sua opinião, porque consideramos que tais opiniões e pontos de
vista, se acham ultrapassados, não se encaixam na contemporaneidade alucinante do
padrão humano de vida onde tudo é transitório, descartável, substituível, mas
que em contrapartida, por mais estúpido que pareça, atende às aspirações
imediatas por uma satisfação contundente e efêmera, necessidade comum a quase
todos. E que algumas vezes, beira a bestialidade, denegrindo o que se
convencionou no passado não muito distante chamar de civilização humana.
Deus seja lá o que for, mas, certamente é a inteligência suprema e
causa primeira de todas as coisas, porque assim se revela nas suas obras, que não
são aquelas criadas pela inteligência humana, Deus jamais compreendido,
tornou-se acessório, artigo de luxo, peça de museu. Utopia de almas puras,
portanto, frágeis. E fadadas ao fracasso, ao escárnio e ao esquecimento em um
mundo cada vez mais competitivo e desumano.
Aos poucos vão se esgotando os recursos naturais do planeta onde
somos hóspedes temporários e o qual não nos pertence. E o fazemos sem nenhum constrangimento,
nenhum sentimento de culpa e remorso. Afinal, o mundo existe para nos servir.
Que nos adianta, todavia, um padrão de vida de excelência
material, se o planeta em que vivemos vai se tornando cada vez mais hostil à
nossa presença?
Onde haveremos de colocar o resultado de todo nosso progresso
científico, tecnológico, social? Ele não cabe em nossas mentes, porque acaso
coubesse, de lá talvez jamais saísse.
Disputamo-nos uns com os outros por espaços, coisas e situações
que sabemos transitórios. E ainda assim, disputamos, sem medir consequências
para nós e para nosso semelhante.
Acreditamo-nos vencedores, ao derrotarmos o irmão que está a
caminho conosco. Mas, como isso pode significar vitória? Se nos influenciamos
de alguma forma, uns aos outros, com nossos pensamentos, sentimentos e ações. O
que em outras palavras significa que a dor e a lágrima, o riso e a sensação
plena de liberdade e paz, de um depende do outro. Todos nós jogamos no mesmo
time. Não há um oponente do outro lado do campo de jogo. E enquanto ainda nos desprezarmos uns aos
outros por nos considerarmos superiores, melhores, mais fortes; enquanto nos
repudiarmos, porque alguns são diferentes da maioria, no seu modo de pensar,
sentir, viver, e acreditar nas coisas, mesmo aquelas que escapam à realidade da
matéria, mas que alcançam e ultrapassam a realidade espiritual comum a todos
nós; enquanto um de nós sofrer por causa da fome, do frio, da solidão, jamais a
sociedade humana atingirá todo o seu potencial. Porque a maioria esmagadora das
pessoas não conduzem suas vidas, são conduzidas. E aceitam passivamente a
escravidão que atende pelo nome de ignorância. E nestes tempos mais que em
qualquer outro, infelizmente, ao invés de repudiá-la, ainda se divertem com
ela.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
domingo, 1 de fevereiro de 2015
PISANDO EM OVOS
Há remédios
que se deve tomar por toda vida, e outros que não se deve tomar, se é que se
pretende continuar vivo neste mundo. – g.j.c.jr.
ESTAÇÃO 46
Aceite, não
se revolte, faça o seu melhor, pague suas dívidas, suporte a condição, resista
a sua maldade, elimine os seus vícios; viva um dia de cada vez, siga em frente,
não olhe para trás. Tudo bem, assim tem sido desde o início da viagem e até
aqui. Mas, agora, chego à estação 46. E receio que seja a última – g.j.c.jr.
ESCOLHA
Alguma coisa
há de errado em nossas vidas, quando nos damos conta de que a porta fechada
diante de nós é a única alternativa para conquistarmos a liberdade. – g.j.c.jr.
CAPA E ESPADA
Quem agride
o seu semelhante contrai uma dívida, e quem é agredido, sem motivo aparente que
justifique, livra-se de uma. – g.j.c.jr.
CERTEZAS
Justamente
aquelas coisas da vida, que, de repente, nos parecem tão óbvias, são as
primeiras a desaparecerem num piscar de olhos. – g.j.c.jr. –
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