Verdade
seja dita. Todas as vezes que dependemos da força do conjunto para ganharmos
uma Copa do Mundo ficamos pelo meio do caminho.
Quando
ganhamos, tivemos jogadores que carregaram o time nas costas e nos levaram à
consagração máxima do futebol. Foi assim em 1958, com Pelé e Garrincha, em 1962
com Garrincha, em 1970, com Pelé, em 94 com Romário, e, e, 2002, com Ronaldo
Fenômeno. Ficamos a pé em 1938, 1982, 1986, 1998 e 2006, quando tínhamos times
temidos por todos no mundo da bola, mas que fracassaram, ao menos em termos de
conquista. Desses, apenas o de 1982 realmente merecia melhor sorte, mas se
formos analisarmos os adversários da primeira fase veremos que o único
realmente difícil foi a União Soviética, quando devido o puro talento de
Sócrates e Éder, conseguimos derrotar em uma virada histórica nos minutos
finais. Naquela Copa, bola mesmo jogamos contra a Argentina, esta sim, um
adversário à altura, difícil de ser batido, mas em decadência. Aí viria o jogo
contra a Itália. Bem, deixemos isso pra lá.
O
que importa é o presente. E ele não é nada animador. A FIFA divulgou esta
semana mais uma de suas famigeradas listas das melhores seleções do mundo. E o
Brasil, cinco vezes campeão do mundo ocupa o modesto 6º. Lugar, atrás, por
exemplo, de Portugal e Holanda, que jamais venceram um Mundial. E de Uruguai
que, à parte o passado glorioso, há muito tempo vivia à margem do respeito e
credibilidade própria dos realmente bons.
Há
de se estranhar, mas nem tanto, a posição da Inglaterra, em 7º. Lugar do
ranking, logo atrás do Brasil. Porque a Inglaterra nunca vence nada, sua
seleção quase sempre beira a mediocridade, mas na terra de sua Majestade, a
Rainha, se disputa o mais caro, competitivo e financeiramente rentável
campeonato nacional do planeta bola.
Em
termos de Brasil, fica a nossa esperança para que se confirme a explosão da
estrela Neymar. Em uma análise superficial e quase ufanista tudo parece
caminhar para isso, mas, se analisarmos bem veremos que uma coisa é jogar
contra Guarani e outra, contra Barcelona, e isso parece ter ficado bem claro ao
final do ano passado.
Mais
do que dúvidas em relação às possibilidades de Neymar, são as preocupações em
relação às possibilidades do selecionado brasileiro em uma Copa do Mundo que
disputará em seus domínios.
A
dois anos das disputas, não temos um time, e, pior que isso, pela primeira vez
na história do nosso futebol, não temos jogadores.
Se
tomarmos como base a apresentação do Santos F.C, tido como nosso melhor time
frente ao Barcelona, tido como o melhor time do mundo, teremos todos os motivos
pra escondermos a vergonha em um buraco bem fundo e escuro. Lembremos que em um
passado nem tão distante, mesmo os times brasileiros que iriam para o Mundial
de Clubes em condições reconhecidamente inferiores perante os seus adversários,
exemplos do Palmeiras em 1999, diante do Manchester United e do Vasco da Gama
em 1998, diante do Real Madrid, venderam caro suas derrotas, jogaram futebol à
altura, e perderam nos detalhes próprios do futebol. Bem diferente do Santos e
de Neymar que diante do Barcelona, sequer viram a cor da bola, o que, em outras
palavras, seria um preocupante indicativo da decadência do nosso futebol.
A
verdade é que os outros evoluíram e nós estacionamos na nossa soberba. Basta
observar o trabalho que é feito nas categorias de base dos times europeus e o
que é feito nos nossos clubes. Estamos mais preocupados em criar ídolos e
garotos propagandas e menos jogadores de futebol.
Se
paga agora o preço por isso. E talvez, o maior de todos será sucumbir daqui a
dois anos perante a ilusão de centenas de milhões de brasileiros que tanto
gostariam de finalmente soltar o grito de “é campeão”, entalado na garganta
desde 1950.
Que
os deuses da bola nos ajudem. Vamos precisar. E muito.
* Artigo publicado no site Guia Rio Claro: http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151005114
* Artigo publicado no site Guia Rio Claro: http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151005114

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