Pessoas de bem são indiferentes à política, por convicção ou pudor. Pessoas inteligentes e cultas, cada vez mais se sentem independentes, despojadas, livres da necessidade de algo que as faça acreditar que tudo tem um porque e que o amanhã virá do mesmo modo. São pessoas que se bastam a si mesmo. Repudiam a Deus porque não o encontram em nenhuma religião.
Neste país que sorri para o mundo, mas não consegue esconder as chagas de sua sociedade doente e entregue ao vírus letal do orgulho e do egoísmo, chega-se a vender a alma ao diabo por causa do voto que outorga o poder político.
Essa indiferença para com aquilo que realmente tem importância é um dos fatores que propicia disseminar a violência aos olhos coniventes das autoridades, atreladas até o pescoço com os compromissos assumidos junto às várias esferas de poder constituído ou paralelo.
Quando intervém, a polícia, na maioria das vezes age com eficiência. Cumprida sua missão, entrega o Mal a Justiça e essa, devolve o Mal a sociedade, talvez como forma de puni-la por tê-lo criado.
Necessário seria mudar as leis. Mas quem deveria e poderia mudá-las são os maiores beneficiários das distorções e falhas das leis, que ao invés de ser aplicada é discutida.
Então, a título de dar uma satisfação à sociedade, que paga a conta e legitima o poder político obtido por alguns, através do voto, vez em quando, ocupa-se um morro, aparece-se com um gato (não, não farei tal ofensa aos gatos), um cachorro; sim, um cachorro bravo e dos bem grandes, devidamente preso por coleira, tosquiado ou abatido, pra que possam dizer eufóricos: Olhem cidadãos, trabalhamos sim por vocês. Honramos sua confiança. Fazemos jus aos seus impostos e ao seu sagrado voto.
Mas, ocupemo-nos agora do senhor diabo, esse ser adorável e mal compreendido. Não se assustem. Logo, e ele será visto desse modo.
Quem acaso o teme, mas reconhece a sua importância na justificativa dos fracassos humanos, e, por convicção ou natureza, não consegue deixar de ser ambicioso, usa o pobre coitado do diabo, para vender milagres e lugares no céu em troca de...? É claro, dinheiro.
E se apresente com elegantes túnicas, uniformes ou ternos impecáveis, é exatamente nisso que se baseia o poder religioso: Dinheiro, com o qual se obtém o poder político.
Dinheiro que influencia, conquista e domina. Estabelece os rumos da sociedade, sua cultura, através de uma bem elaborada engenharia social que aos poucos vai sendo colocada em prática sem que a maioria perceba, pior a dimensione, a legitime, e a torne hábito universal. Vai além. Usurpa a boa fé das pessoas, brinca com a sua esperança. E, minuto a minuto, consome com a vida destas, até que estas, em seu último instante de vida, percebam o quanto foram idiotas.
Não obstante, há aqueles que pouco se importam com o voto, os milagres e um lugar no céu, porque indiferente a tudo isso, mas são igualmente ambiciosos, vivem apenas para o hoje, para o seu prazer e satisfação pessoal, vendem sonhos, ilusões, toda forma de diversão, por meio das bebidas, drogas, jogos, futebol, música, cinema, show bussines e prostituição. Porque acredite você leitor, cada vez que você compra a camisa do seu time preferido, paga o ingresso de um jogo, um filme, um espetáculo, compra um cd, consome a maldita droga ou toma porres, esteja certo, de alguma forma, você está ajudando a financiar a desgraça da humanidade.
E se você, feito quase todos, já perdeu a esperança e acha tudo isso normal, continue acabando com sua vida, mas pense ao menos um pouco nos seus filhos e nos seus netos. Eles têm ao menos o direito de escolher. O mesmo direito que você um dia teve.
Diz o poeta, assim caminha a humanidade. E dizemos nós: Cada vez mais. Para o abismo. Para o nada.
* Este artigo foi publicado no site Guia Rio Claro http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151004008. Posteriormente, eu o "enxuguei" para que pudesse ser publicado também em outro veículo de comunicação, sendo esta versão editada e mais recente a que se encontra aqui.
Em tempo: "Enxugar" é um termo jornalístico que significa diminuir o número de caracteres de um texto. Este, por exemplo, como via de regra, deveria se limitar a 3000 caracteres.
* Este artigo foi publicado no site Guia Rio Claro http://www.guiarioclaro.com.br/materia.htm?serial=151004008. Posteriormente, eu o "enxuguei" para que pudesse ser publicado também em outro veículo de comunicação, sendo esta versão editada e mais recente a que se encontra aqui.
Em tempo: "Enxugar" é um termo jornalístico que significa diminuir o número de caracteres de um texto. Este, por exemplo, como via de regra, deveria se limitar a 3000 caracteres.

Parabéns ! Mais um texto excelente, mais um alerta para abrir os olhos de que mudanças precisam chegar com urgência.
ResponderExcluirAbraço
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirÉ isso ai, porém lembrando sempre que Nada Dura Para Sempre...um dia tudo isso há de passar e tempos melhores hão de vir, aliás eles já estão a caminho, ao meu ver...
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