Não lamente os mortos. Nem hoje, nem amanhã. Não chore por eles. E se pensar neles, o faça com alegria, e esperança. Eles se sentem mortos, se nós realmente acreditarmos que eles estejam. Não dificulte as coisas, nem pra você e nem pra eles. Deixe-os seguir o caminho. Deixe-os em paz. Aos deprimidos, uma saída é escrever. E sei do que estou falando. Continue a escrever. Dialogar com o nada, também é uma forma de comunicar-se. Afinal o que é o nada senão alguma coisa que apenas não pode ser vista ou tocada. Mas pode ser sentida. E se pode, é por que existe. Na pior das hipóteses, o nada são 4 letras.
PÈRE LÈCHAISE
Quem deseja as minhas cinzas?
Quem apaga o fogo que agora queima minh’alma?
Quem pode olhar para mim com ternura?
Haverá alguém que possa me entender?
E aceitar as coisas que fiz?
Quando cai o pano
O sonho terminado
Resta apenas esperar
As ofensas que virão
Nada disso importa
Ainda há poesia no meu coração
É nela que me refugio
Um manto com o qual
Eu esconda a vergonha
Que outros me impõem
Esta presença agora me assusta
Esta luz ofusca o meu olhar
Esta voz que soa como as águas do rio
Como o vento que passa
E as aves no céu que não posso ver
Em torno de mim um imenso gramado, um canteiro de flores
Não desejo a escuridão, apenas quis falar sobre ela
Sob meus pés o orvalho da noite
Adiante o silêncio
E dentro, o nada: Quatro letras.
Poema de J. Costa Jr.


Palavras muito inteligentes que refletem a verdade, um dia todos entenderão isso.
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