(À todos aqueles que, por um sonho de liberade, derramam suas vidas num campo de batalha)
Amontoados
Sem cabeça, mutilados
Corpos,
Onde seus espíritos?
Quais montanhas sobem?
Quais caminhos percorrem?
Quais florestas se refugiam?
Onde a sua dor se esconde?
E buscam beber o sangue
Que os fará viver
Abandonados
Molhados, por chuvas torrenciais
Alcançarão aqueles corpos, as nuvens
D'onde a chuva?
Terão asas para tanto?
Em que pedras deitarão suas cabeças?
Em que folhas derramarão o barro que os cobre?
Já não andam aqueles corpos
Não respiram, não vêem
Estão mortos, esquecidos
Serão como pó
Mitificados
Fardados, de panos perfurados
Corpos doídos, feridos
Em que braços encontrarão amparo?
Em que olhares encontrarão piedade?
Aqueles corpos, eles fedem, eles clamam
Por um minuto de atenção
Um instante de carinho
Antes que sejam cobertos pela poeira do tempo
Sejam lembrados pelos vermes
Porque pelos homens, já foram esquecidos
Inspirado na obra "Guerra de 1942" de Lasar Segall.
Foto ilustrativa de Robert Capa
Leia comentários sobre este poema em:

CORPOS (Aos homes da Revolução que sonharam com a liberdade)
Qua, 09 de Julho de 2008
Qua, 09 de Julho de 2008
© 2010 - Autores.com.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário