sábado, 29 de setembro de 2018

PARA GOSTAR DE LER


Seis e quarenta e sete da manhã. Banho tomado, barba feita, a xícara de café ao alcance da mão, e a postos, diante do computador para escrever este artigo. Nada disso. É de cueca, sem camisa, cara amarrotada de sono, bocejando ainda, resquícios da noite mal dormida, e a famigerada e necessária dose de 500 mg de metiformina de toda manhã, e lá vamos nós, amável leitor tentar entretê-lo, a partir de agora, a perder 5 minutinhos do seu precioso tempo com uma agradável leitura, assim espero, bom dia.
Reprodução
São 3 mil caracteres, insano e audacioso articulista não se esqueça disso. Bem, já vou dizendo Dona Vivian. A leitura, é hábito que se adquire com um mínimo de boa vontade e alguma persistência. É um hábito que, depois de adquirido, será melhor apreciado por nós e nos proporcionará prazer. Como começar? Fácil. Comece com textos que tenham as seguintes características: frases curtas, parágrafos breves. Nada de períodos longos que irão cansá-lo, provavelmente. Poesia é uma boa alternativa. Contos, também. Crônicas de jornal, idem. Se você não tem livros em casa, recorra às bibliotecas públicas e se oriente com as moças dedicadas e educadas que lá se encontram para atendê-lo. Uma dica eu lhe dou se você ainda não tem o prazeroso hábito da leitura. Não vá se aventurar com um dos ótimos livros do José Saramago, porque eles irão cansá-lo, desmotiva-lo e fazê-lo desistir, porque tem períodos muito longos. Beckett também é difícil para iniciantes, que, talvez, atravessem o livro, caso consigam, sem entenderem, qual a intenção do autor. Aconteceu comigo. Kkkk.
Bom, mas a leitura nos permite adquirir conhecimento e distrair a mente. Ela nos proporciona uma viagem para uma outra dimensão da vida, nos permite conhecer e entender melhor os diversos comportamentos humanos. E nos dá a chance de conhecermos muitas histórias. Afinal, quem não gosta de bisbilhotar ao menos um pouquinho a vida alheia. Se você gosta, eu lhe indico os romances do Machado de Assis. Sacou? Em tempos como o nosso, corridos e meio malucos, onde falta muitas vezes o sentido óbvio das coisas que nos dá segurança para saber para onde estamos indo e porque estamos indo, é muito bom poder se refugiar por alguns minutinhos com um livro em mãos, e ocupar o ócio de modo mais prazeroso e inteligente do que ficar, por exemplo, enviando e recebendo os whatsapp’s da vida, sendo que entre 10, 9 deles não serve para nada.
Imagine, aos finais de semana, sentar no banco de uma praça, à sombra de uma árvore e dedicar o tempo à uma gostosa leitura. Se a vida é corrida, se não há dinheiro para comprar livro ou tempo para procurar por ele, em meio a tanta tranqueira desnecessária, que a gente, por apego inútil que se dá às coisas materiais sem importância, vai acumulando em casa, lembre-se, futuro leitor de romances de cavalaria, que os livros hoje estão disponíveis na internet e até no celular. Livro, quando bom, é um amigo para todas as horas. Inclusive as mais desagradáveis. Minha amiga Rosana, professora do ensino fundamental, costuma ter um livro no seu automóvel, ao qual recorre, quando está parada no trânsito caótico de Rio Claro, ou enquanto espera pelos filhos e pelo marido voltarem do dentista, barbeiro, padaria e por aí vai. Eu comecei a ler muito tarde, confesso. Foi depois de minha separação conjugal, da qual, restaram eu, um sofá, o Tomba e alguns livros, que eram de meu pai. Aí, certa noite, lembrei que minha mãe, detentora apenas de um quarto ano primário, era ávida leitora daquela coleção de capa dura, vermelha, lançada, em meados dos anos 1970, pela editora Abril. Minha nossa! Lá fui eu aventurar-me, todas as noites à fascinante experiência que aqueles livros me proporcionaram. Antes, eu subia até a praça pra comprar um cachorro quente, que dividia com o Tomba, naquela proporção nada amigável de 3 pedaços generosos para ele e 1 para mim. Os jornais, também são uma ótima opção de leitura. Nem todos, é verdade. O Diário, sim. E agora, você leitor pode recebê-lo gratuitamente e na comodidade que o seu celular lhe oferece. Basta baixar o aplicativo. Ainda não o fez? Está perdendo tempo. Faça-o agora, mesmo! Daí, então, olha só que legal, você saberá, entre outras coisas, muito interessantes, onde estão o creme de la creme de la creme de la nata (ou coisa qualquer que o valha) dos botecos da cidade, na coluna do Odair Favari, aos domingos, e a cada 15 dias, às sextas-feiras, um artigo como este, deste seu amiguinho, assim espero. Valeu? Por hoje é só. Ah, leia! Tente, pratique, adquira o hábito. Insista. Vale a pena. Porque se você atravessou essas linhas, de boa, tá no caminho certo, meu caro. Pode crer! Fui...
*Artigo publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 28/9/2018, à página 2, na minha coluna quinzenal, às sextas-feiras, sob o título “O Prazer da Leitura”.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

VIVER É MELHOR!


Em matéria publicada no último dia 11, à pág. 18, na coluna Saúde & Bem Estar, aqui, no jornal Diário, ficamos sabendo que, no mundo, a cada 40 segundos, há um suicídio, e que, no Brasil, a cada 45 minutos, um suicídio é registrado.
Não bastasse a dimensão da tragédia, ela ganha contornos ainda mais estarrecedores quando se sabe que a cada 3 segundos, uma tentativa de suicídio ocorre em alguma parte do mundo.
Mas não para por aí. Entre as principais causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos, e ainda, em crianças e adolescentes, está o suicídio. Os números são alarmantes e chamam a atenção para o assunto ainda tabu em nossa sociedade.

Quais as causas para o suicídio? Uma delas, é a dificuldade em aceitar e lidar com as derrotas, comuns a todos nós, considerando o mundo em que vivemos onde a competição entre uns e outros é marca registrada. A outra, é a saciedade, quando não se encontra mais estímulo para lutar por um objetivo, porque se acredita já ter vivido e conquistado tudo o que era possível e desejável. Uma terceira causa, é não saber lidar com uma situação aparentemente irreversível, a doença, por exemplo, quando apresenta essa característica.
Mas em todas essas causas, o que se observa é a renúncia a um direito sagrado de todo ser humano: o de lutar; lutar por um ideal, um sonho que o motive a viver intensamente cada dia de sua existência.
Há pessoas que também se consideram menores do que o desafio que a vida lhes apresenta. O que não é verdade. Porque nós humanos, sobrevivemos ao longo do tempo, justamente devido nossa capacidade de nos adaptarmos às circunstâncias as mais adversas.
Portanto, evitemos a solidão, porque ela alimenta o pessimismo. Busquemos o contato com a natureza. O prazer que nos proporciona a boa música, a leitura edificante. Recorramos ao diálogo amigo, fraterno que encontramos nas pessoas preparadas e dispostas a ouvir e ajudar o semelhante.
A vida não merece ser desprezada, porque ela tem a capacidade de nos surpreender a cada instante, o que significa que, para muitos problemas que se parecem insuperáveis, a solução pode vir a qualquer momento e por meios inesperados.
Não busquemos nos outros, e nas coisas efêmeras, transitórias e superficiais a nossa felicidade. Quando o fazemos, abdicamos do nosso direito de sermos felizes. A felicidade almejada está em nós mesmos. É como uma flor que precisa desabrochar, e quando o fazemos, revelamos a nós e ao mundo, o seu perfume indescritível.
O tamanho da dificuldade varia conforme o modo como a encaramos. E quando a encaramos com otimismo, fé e esperança, despertamos em nós, potencialidades que sequer imaginamos possam existir.
Somos seres perfectíveis, filhos da Perfeição. Fortes o bastante para lidarmos com todas as situações que a vida nos apresenta, porque em todas essas situações, está uma oportunidade para o nosso aprendizado, moral e intelectual, que nos conduzirá a um patamar mais elevado da vida, não apenas humana, que é transitória, mas, sobretudo, espiritual, que é eterna.
* Artigo publicado na edição de 08/09/2018, à página 2, no Jornal Diário do Rio Claro.
Entrevista que concedi para a Coluna REC, assinada pela jornalista Vivian Guilherme Favari, e publicada aos domingos, no Caderno Sunday, do Jornal Diário do Rio Claro.