Exemplar de Dezembro/2013 do Jornal AQUARIUS que chega a sua 118a. edição, com a qual colaboramos com a crônica BIKE VOADORA ZERO MARCHA, publicada à página 5. O Jornal AQUARIUS tem distribuição gratuita, e o leitor pode encontrá-lo em mais de 40 pontos de distribuição espalhados por Rio Claro. Um deles é a Clau Xerox, à Rua 2 No. 1.604, Centro, com as avenidas 10 e 12.Direitos Autorais dos textos publicados de Geraldo J. Costa Jr. "Escrever não é a doença, é a cura". g.j.c.jr.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
BIKE VOADORA ZERO MARCHA NO JORNAL AQUARIUS.
Exemplar de Dezembro/2013 do Jornal AQUARIUS que chega a sua 118a. edição, com a qual colaboramos com a crônica BIKE VOADORA ZERO MARCHA, publicada à página 5. O Jornal AQUARIUS tem distribuição gratuita, e o leitor pode encontrá-lo em mais de 40 pontos de distribuição espalhados por Rio Claro. Um deles é a Clau Xerox, à Rua 2 No. 1.604, Centro, com as avenidas 10 e 12.quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
SOB O MANTO DA NOITE (TRECHO)
![]() |
| Capa da edição de SOB O MANTO DA NOITE que deveria ter sido publicada pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Mas que decidi não fazê-lo por não considerar à época, o livro ainda pronto. |
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
O SR. MILLER VAI AO PARAÍSO
Ao menos para Alfred Miller um novo
espetáculo estava em cartaz todos os dias.
O velho cine teatro estava aos escombros,
sujo, deteriorado, mas para o Sr. Miller, não. Aos olhos daquele bom homem e
dedicado trabalhador o ambiente era o mais agradável possível. O prédio parecia
novinho em folha, estava perfumado, as poltronas intactas, os tapetes dos
corredores limpinhos, como que recém comprados. Não havia trinca nas paredes,
os banheiros pareciam aqueles que se encontra na suíte presidencial de um hotel
cinco estrelas, e os lustres recém saídos de algum salão nobre da era vitoriana
diretamente para aquele lugar, que Alfred Miller embora, apenas um dedicado
empregado, considerava também um pouquinho seu.
Os mais chegados a ele, diziam que mesmo
depois de morto, Miller certamente continuaria ali, feito alma penada, que se
recusa a enxergar o óbvio. Alguns de seus amigos sabiam que o envolvimento do
Sr. Miller com aquele lugar, vinha desde os tempos que naquele prédio, depois
reformado para abrigar o cine teatro, funcionara uma fábrica de tecidos, onde,
não por acaso, Alfred Miller tivera na mocidade o seu primeiro emprego.
Todas as noites, às 8 em ponto, as luzes
escapavam da platéia e refugiavam-se, fosse no palco, fosse na grande tela, e,
aos olhos do público via de regra, impaciente e ansioso, desnudava um mundo no
qual sonho e realidade, passado e presente se confundiam.
Mas a situação real era bem diferente. Não
havia filme sendo projetado na tela, nem peça de teatro, ópera, orquestra ou
espetáculo de dança se apresentando no palco. Não havia. E já se fazia muito
tempo. Muitos anos, a bem da verdade.
Mas o dedicado Sr. Miller, alheio à poeira
que se acumulava pelos cantos, aos estragos que o tempo causara àquele lugar, continuava
mesmo assim, abrindo e fechando o estabelecimento todas as noites, e, durante o
dia, cuidando da manutenção e da limpeza do lugar, da propaganda colocada em
grandes e sugestivos painéis à entrada do prédio, também dos ingressos da
bilheteria, que, em hipótese alguma poderia faltar. Do troco que a Srta.
Luciene sempre reclamava, nas horas mais inapropriadas. Cuidava do conforto dos
músicos, atores e atrizes, cantores e cantoras, dançarinas e dançarinos,
comediantes, que, nos camarins, deliciavam-se com as frutas fresquinhas, a água
gelada, os doces e salgadinhos que Alfred Miller tratava de providenciar com
bastante antecedência, para que tudo corresse bem e na mais perfeita ordem,
porque como lhe ensinara o seu experiente e generoso patrão, o Sr. Mancini, artistas e públicos deveriam estar bastante satisfeitos. Os primeiros para que
desempenhasse bem o seu trabalho, sua arte. E os demais, para que retornassem
sempre, se possível todas as noites, trazendo-lhes o abençoado e tão necessário
dinheiro, o combustível indispensável que fazia toda aquela engrenagem
funcionar. E, é claro, mais público. E mais público... Até que o Sr. Miller,
olhando para o seu patrão dissesse: “Senhor, onde iremos colocar tanta gente?”.
Foi assim que encontramos Alfred Miller,
sentado na primeira fileira à direita do palco, olhando para o mesmo, inebriado
e absolutamente envolvido pela cena derradeira do 3º. Ato de A Tarde Demora a
Passar, aquela em que o jovem escritor, derrotado pelo álcool, caminha trôpego
pelo corredor do hotel, segurando uma garrafa, em direção à portaria, então
invadida pelas primeiras luzes da manhã. Miller sentia-se um pouco aquele jovem
escritor, podia mesmo reconhecer-se naquele olhar, em determinados momentos.
Por isso não percebeu nossa presença. Estava emocionado, a cena parecia lhe
dizer qualquer coisa de familiar, que durante muito tempo, ele se recusara a
admitir. Causava-lhe certo incômodo, um nó na garganta, uma ligeira dor nos
braços, uma agonia, um desconforto. Seus olhos marejados deixavam-lhe a visão
embaçada, ora turva. Seus pés pareciam procurar o chão, e ele sequer sentia o
assento e o encosto tão confortáveis que o veludo vermelho da elegante poltrona
lhe proporcionava. Estava arcado para frente, apoiando-se com um braço, o
direito, na vassoura, que ele desconhecia o motivo de tê-la apanhado em
algum lugar que não saberia dizer qual.
Resolvemos dar-lhe tempo para que absorvesse
aquela emoção, até que por iniciativa própria se desse por conta da nossa
presença. E levou alguns minutos até que o fizesse. E quando o fez, sorrindo em
nossa direção, disse emocionado:
“Não é lindo?”.
Assinar:
Comentários (Atom)

.jpg)
