O site Autores.com.br é uma família. No Espiritismo, se aprende que a nossa família é a humanidade com todos os sabores e dissabores que isso implica. Calma, não se trata de discurso proselitista em favor de uma Doutrina. É apenas uma constatação.
Falo por mim. Eu comecei a escrever no citado site em 2008, quando publiquei “O Último Distante da Décima Hora”, que eu recomendo, sem nenhuma pretensão de parecer convencido, e já parecendo.
O que mais me agrada é o caráter democrático do espaço. Já flertei com outros sites do gênero. Mas não é a mesma coisa. Falta àqueles o tempero que a este sobra. Tem-se mesmo a impressão que se está em uma biblioteca pública, porque se encontra de tudo: de textos a leitores dos mais variados perfis e conteúdos. E isso é fascinante. É algo só mesmo possível no mundo virtual que a internet proporciona, onde todos existem, se esbarram e interagem, ainda que não se conheçam propriamente dito.
Nunca pretendi ser compreendido no Autores. Mas o modo carinhoso como os colegas escritores e leitores recebem a maioria dos meus escritos me dão a certeza de que uma vez publicado o autor já não é mais dono de si mesmo. Um texto publicado faz de um escritor, vidraça. E há aqueles que não compreendem e não aceitam essa situação. Paciência. É um direito deles. Entretanto, se discordar, replicar, treplicar, argumentar, contradizer são condições que garantem o pleno exercício da democracia, nunca é demais lembrar a necessidade de se tentar fazer isso com inteligência e educação. Caso o contrário, deixa de existir o debate salutar e oportuno e passa a imperar a disputa, eivada de ignorância e maldade, desnecessárias.
Acredito que os idealizadores e os mantenedores do mencionado site, não têm ideia do serviço de valor imensurável que fazem a cultura brasileira, em especial à Literatura. Se dali sairão best-sellers é coisa que pouco importa. Porque ali, sim, a Literatura existe, de fato e de direito. E com todos os seus predicados e defeitos.
Talvez um dia os governantes e as autoridades brasileiras dêem-se conta da importância cultural e social da Literatura e de espaços democráticos como o Autores. E se tivermos que esperar por esse dia que o façamos sentados. Mas eu sugiro que não esperemos. Lutemos. E mostremos a eles que estão errados.
Nós, brasileiros, temos por tendência natural acreditarmos em milagres. Somos um povo bom, ingênuo, tanto, que chega ser irritante. E somos um povo que ao contrário do que tentam nos fazer crer as sumidades intelectuais da política, das artes, da cultura e do mercado editorial, somos sim um povo que gosta de ler e escrever. Apenas nos falta oportunidade para ter mais acesso aos livros e mais espaços como o site Autores.com.br, para compartilharmos nossa criação literária, enfim, os mundos que criamos dentro de nós para os outros.
Participar desse convívio é realmente levar uma vida de escritor naquilo que ela tem de melhor. Por exemplo: conheci um pouco de Salvador na Bahia, levado pelo depoimento emocionado do educador, poeta e escritor Raymundo Luis Lopes, mestre dos haicais e do Tai-Chi-Chuan, quando me concedeu uma entrevista para a Revista Virtual Letras com Arte, que apesar de ter durado apenas duas edições, foi uma iniciativa ímpar e ousada do Autores.com.br, muito bem conduzida pelos profissionais que levaram o projeto adiante.
Posteriormente, entendi realmente o que era contar historias para crianças, por intermédio da colega Patricia Ferraz da Silva, cuja pauta conduzida por este reles repórter, e que sairia na terceira edição da revista virtual mencionada, caiu, caiu simplesmente, como se diz no jornalismo. Perder gols e jogos inacreditáveis faz parte do juego de la prensa. E jornalista sabe disso perfeitamente.
A minha primeira experiência desse gênero no Autores, foi uma matéria para a edição número zero da saudosa revista, através da qual pude render homenagem a um dos meus “professores”, o chegado tio Ernie. Isso mesmo, assim, na intimidade. Somos velhos conhecidos. Por falar nisso, o autor de O Velho e o Mar, ainda não me disse por quem os sinos dobram, embora, feito eu, já tenha dado adeus às armas. Deve estar agora se divertindo porque decididamente Paris é uma festa e as ilhas das correntes são difíceis de ser alcançada. É melhor buscar a outra margem do rio, entre as árvores. E passear com a ragazza A. de gôndola em Veneza, ao invés de encontrar a morte na tarde ou sucumbir sob as neves do Kilimanjaro.
Creiam-me, já dei uma de psicólogo e também já me deitei no divã, naquele site. Isto mesmo, seus sabichões, abelhudos que atendem pelo nome de leitores. Explico. De novo? Então vamos lá. Sempre tive da parte dos colegas escritores e leitores do Autores, uma palavra amiga, um gesto de compreensão e comprometimento que tanto ajuda a enfrentar os inúmeros e intermináveis desafios da vida humana. Principalmente agora. No momento em que escrevo estas linhas, faz exatamente uma semana que eu me despedia de meu pai, vencido ele que foi por um persistente sujeito de nome horrível e diminuto que o acompanhou durante longos 12 anos.
A poeta Tânia Martins, a artista Catucha, de alma perfumada; as adoráveis irmãs Patricia e Anna Letierre, a refinada Srta. Niki, a meiga Jussara; a perspicaz Laís, a determinada Eloísa, o sonhador Sr. Anarquista, a amável Sra. Guenia, o misterioso Ajo, e a misteriosa Ellin, a excitante Manilkara, o venerável doutor Pamaro, a risonha Aranoi, a transcendente Katia, o talentoso Hiago, a doce Cely, o sempre cordial Paulo Valotto; os generosos Cilas, PJLima1, o iluminado Alexandre Schorn, o crítico Santosh, a professora Rackel; a encantadora Nadi, a realmente linda Lindinha, Solange Sorrisos Lima, a fofinha da Anne, o pontual Abreu, o Professor Carlão, a fiel Eliza, a bondosa e apaixonante Bruxa dos Contos, ufa! E, enfim, todos os quais eu não me recordo o nome no momento, saibam que moram no meu coração sem pagar aluguel ou ameaça de despejo.
Meu pai sempre foi a minha referência, maior inspiração, causa primária de toda a minha produção literária e eu sequer cheguei aos pés dele, nem de longe. Ele me disse que era possível, e é por ele que escrevo. Sempre foi. E muito mais agora.
Todavia, há uma pessoa que embora não participe mais daquele convívio virtual, porém aconchegante que o Autores.com.br nos proporciona, é a responsável por vocês, caros colegas e leitores terem de me aturar a mim e aos meus textos publicados lá e cá. Ela me ensinou o caminho das pedras, o modo como as coisas acontecem, enfim, ela me levantou tantas vezes do chão, e tantas vezes curou as minhas feridas. Aquelas que mais doem. As da alma. Ela impediu que o escritor que trago dentro mim, maltrapilho, malcheiroso e, na maioria das vezes, cego, surdo e mudo às coisas do mundo à sua volta, deixasse de existir. Ela, Adriana L.
Se fez bem ou se fez mal, o tempo, a posteridade irá dizer. Porque, diferentemente do que acreditava o meu companheiro do bom e indispensável scotch. Mr. Francis. S. Fitzgerald, eu tenho certeza que não escrevo para os da minha geração. Talvez, quem sabe, para os da próxima. Ou para geração nenhuma.
Mas, por incrível que pareça não me sinto derrotado. Pois se ontem eu passei pela ponte, hoje, eu passo sob ela. Faz diferença? Faz. Toda diferença. Principalmente quando se sabe quem é e o que se pode realizar, fica mesmo difícil contentar-se com a sombra do vão da ponte, onde se escondem os rejeitados, os ignorados, e os incompreendidos e toda a sua dor, e toda a sua vergonha. Mas, como diz o amável e atencioso Emmanuel, não importa como seja a noite, a alvorada virá. Creio nisto. É o que me faz viver.
Um beijo no coração de todos vocês.








