Direitos Autorais dos textos publicados de Geraldo J. Costa Jr. "Escrever não é a doença, é a cura". g.j.c.jr.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
WILDE: 109 ANOS DEPOIS
domingo, 29 de novembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
PROCURA-SE ALUNOS

O MEC (Ministério da Educação) informa que 1.479.318 vagas não foram preenchidas nos cursos de nível superior no Brasil nos dois últimos anos. A justificativa apresentada é que durante o processo para autorização de um novo curso as instituições educacionais solicitam mais vaga do que desejam oferecer.
Entretanto, basta verificar a situação do ensino público nos níveis fundamental e médio nos últimos 20 anos para constatar a necessidade de uma orientação vocacional que não existe. Porque se existisse, o aluno poderia escolher as matérias que deseja estudar e assim, aprofundaria seus conhecimentos nessas matérias, ganharia tempo para se dedicar a outras tarefas e custaria menos ao Estado e aos seus pais.
Detectar a vocação do aluno deveria ser a primeira preocupação das instituições educacionais.
Para tanto, se faz necessário uma profunda revisão na grade curricular tanto no ensino fundamental como no médio.
Agora, esperar por parte do MEC essas modificações que significam avanços é perda de tempo. O MEC faz o que o governo manda. E governo nenhum, ainda mais se for brasileiro, pretende um povo culto, esclarecido, senhor de si, que seja capaz pensar, agir e decidir com a razão. Um povo assim representaria ameaça ao Poder porque tomaria e seria um novo Poder.
Portanto, essa sonhada revolução educacional deve partir das instituições públicas e privadas. Algo que nos parece no momento impossível. Porque a primeira está sucateada, desmotivada, quase inexiste de fato embora exista de direito. E a segunda, em sua maioria, encara a educação apenas como um comércio.
A educação tem que ter os pés na realidade e o olhar para o futuro. E esquecer um pouco o passado. Que, se necessário, pode ser consultado nos inúmeros meios de informação de que hoje se dispõe.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
IRÃ, EU CONTRA.

Ônus que se paga por viver em um mundo globalizado? Talvez. Independentemente de qualquer interesse político e econômico, é questionável a visita ao Brasil do presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad . A recusa do Brasil em votar a censura ao Irã pela Junta de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao contrário do que fizeram Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia, China e Estados Unidos também gera preocupação, conforme o professor José Goldemberg, ex-secretário brasileiro de Ciência e Tecnologia. O Irã, contrariando a tendência mundial desenvolve um condenável Programa Nuclear cuja finalidade pairam dúvidas e coloca em alerta a comunidade internacional. Triste é ver o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim tentar justificar a ilustre e inconveniente visita de Ahmadinejad ao Brasil alegando a importância e o papel fundamental do Irã no Oriente Médio. Curioso é que para tomar decisões com interesses obscuros não se pede a opinião do povo. Os governos passam. A nação permanece. E é sempre a nação quem paga pelos pecados de seus governantes. O tempo dirá.
PRIMAVERA VIRÁ.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
O FIM E OS POR QUÊS

"Para os inteligentes que nada carregam no coração lidar com a ideia da morte é indiferente. Para os ignorantes a ideia é insuportável. A única desgraça do homem é a ignorância. O resto, é experiência, com as quais, se ele souber lidar, o tornará mais forte e mais esclarecido. E portanto, preparado para enfrentar e vencer batalhas às quais jamais será imune porque delas precisa para evoluir". - J. Costa Jr.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
2012: FIM ou COMEÇO?

Precisar datas para possíveis acontecimentos futuros é algo bastante pretensioso. Não é tão relevante saber se 21 de dezembro de 2012 é mesmo a data em que se cumprirá a profecia Maia tema tão em evidência no momento. Mas que estamos bem próximos de grandes acontecimentos que irão mudar definitivamente a humanidade e o mundo não resta dúvida.
O momento é de transição. A Terra prepara-se para ser promovida na hierarquia dos mundos de planeta de prova e expiação para planeta de regeneração. Em princípio, a mudança parece não ser significativa. Mas essa mudança implica dizer, por exemplo, que, na Terra, não nascerão mais espíritos moralmente atrasados a ponto de agredir e até matar o seu semelhante.
Se acompanharmos apenas os noticiários teremos a impressão de que o mundo e a humanidade estão cada vez pior. Não é verdade. Basta que procuremos nos informar sobre a vida de nossos vizinhos, de nossos colegas de trabalho ou de estudo e, certamente, encontraremos o exemplo de alguém que possui uma bonita história de superação, que se dedica a alguma causa humanitária, que realiza algum trabalho benemerente; alguém que apesar de todas as dificuldades que a vida lhe impõe, estuda e trabalha, em seu benefício e da sociedade.
Mas estas pessoas dificilmente se acham nas manchetes dos jornais, porque fatos realmente relevantes como esses não merecem a devida atenção da mídia, porque nesta, em todos os seus setores existe a crença de que notícia ruim é a que vende. Quem estabeleceu essa crença? E por quais razões? São exatamente os espíritos atrasados, egoístas que abominam o progresso espiritual da humanidade e tudo fazem para detê-lo. Porque eles são parasitas que ao invés de trabalharem vivem do sangue alheio. São infelizes, embora não admitam.
Ao longo do tempo, sobretudo, com o advento da revolução industrial e o desenvolvimento dos meios de comunicação, esses espíritos atrasados estabeleceram uma cultura de consumo e competição. E através dessa cultura, introduziram crenças e conceitos, cujo único objetivo é incutir na cabeça do ser humano de que ele é um derrotado e sua redenção passa pelo sofrimento.
Mas assim como há peixes que escapam das redes há seres humanos que, por meio de sua condição moral, sua capacidade intelectual, seu trabalho e esforço não se sujeitam a essa condição de vida humilhante e prosperam. E mesmo assim, muitos não são compreendidos. Alguns terminam na fogueira. E outros, pendurados na cruz de cabeça para baixo.
A maioria de nós está entorpecida pela crença de que para ser feliz é preciso ter. E quando não se tem é motivo para se sentir menos que os outros, desvalorizado, diminuído, infeliz. Mas ter exatamente o quê? Coisas perecíveis ao tempo, às circunstâncias? Quantos cristais não foram destruídos nas casas das famílias européias durante as noites de bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial? Os cristais choraram a dor daquelas pessoas?
Um instante de reflexão, e será possível entender que espírito é o que somos não é o que temos. Nós somos espíritos. E estamos humanos. Estamos, porque essa é uma condição temporária. E daqui partiremos. Alguém conhece uma pessoa que tenha 200 anos? Um cavalheiro ou uma dama da corte portuguesa que, fugida de Napoleão, chegou ao Brasil em 1808?
Portanto, se estamos apenas de passagem pela Terra, significa que ela, ao contrário do que muitos acreditam, não nos pertence. Se um morador deixa a casa dele sob os cuidados de um vizinho durante um período de ausência, este será o responsável pelo que venha a acontecer com a casa? Ou não?
É mais ou menos a situação da humanidade em relação à Terra. Muitos aqui já estiveram antes de nós. E outros muitos virão depois de nós.
Se o proprietário da casa retorna e a encontra em desordem, suja, destruída, o que pensará e que atitude tomará em relação ao vizinho que ficara responsável pela guarda da casa?
Humildade jamais foi o forte do ser humano. Ele obtém uma conquista, adquire um conhecimento, supera um desafio e já se sente grande coisa, o maior de todos, ou pelo menos o maior e o melhor dentre os seus. Porque, qual de nós ao depararmo-nos com uma situação exitosa lembramo-nos Daquele que, enquanto aqui esteve, jamais usou de sua condição de superioridade, de suas prerrogativas, nem mesmo para se salvar. E era, Ele sim, o maior dentre todos. E deixara isso bem claro quando dissera que antes de Abraão ter sido Ele já o era.
Se os Maias profetizaram Ele revelou o significado de tais acontecimentos ao afirmar que não passará a humanidade antes que essas coisas aconteçam.
Orgulho, sempre foi uma pedra no sapato da humanidade. Afinal, temos um modelo a ser seguido e o ignoramos. E muitos outros vieram depois para reafirmar o que Ele já dissera. E nem assim levamos em conta.
Deus é o dono do jardim e da semente. Mas Jesus é o seu mais fiel e laborioso jardineiro. E Jesus não planta jamais em apenas um lugar. Num olhar de relance em todas as épocas, civilizações e acontecimentos da humanidade, se encontrará alguém que faz e fala em nome Dele. Porque o candeeiro não deve ficar sob a cama, sua luz deve iluminar a todos. Jesus é o capitão de uma nau que navega em águas turbulentas, mas tem corda e bote suficiente para todos os tripulantes. E mesmo assim, muitos se afogam. Por ignorância e por vontade própria.
Dois mil e doze? Transformações? Sim. Elas já vêm acontecendo há muito tempo. Antes, imperceptíveis, agora, mais sentidas, porque mais contundentes. Podem os espíritos atrasados, os parasitas entorpecerem a mente humana a ponto de neutralizarem a sua vontade. Mas nada podem com as forças da natureza. A casa chamada Terra tem dono: Deus. E tem quem cuide dela: Jesus, e os seus. E nós, náufragos e degredados, devemos parar de nos inebriarmos com o brilho das estrelas e o encanto da lua, e pegarmos logo um bote. Porque a noite é longa, a água gelada e o mar infinito. Não para aqueles que querem porque sabem que podem alcançar a ilha paradisíaca.
domingo, 22 de novembro de 2009
O EPÍLOGO DE TÔMAZ ADLER

As frustrações de Tômaz Adler eram duas: não ser músico, e não ser pintor. Com a primeira, até se conformara. Mas, com a segunda, estabelecera uma relação de antipatia e desprezo. Dizia que se fosse pintor produziria rabiscos e seria considerado artista de vanguarda.
Por tudo isto, odiava a Literatura. Porque esta o havia aprisionado. E como toda megera, queria também destruí-lo.
Em princípio, ofereceu-lhe a ilusão de alguns bons textos. Coisa comum e desprovida de novidade, nada mais, nada menos, do que o mais do mesmo, mas que serviu para estimulá-lo e lhe dar confiança, como faria a garota bonita da escola que corresponde com um sorriso tímido ao olhar interessado do garoto que sonha acordado com seu primeiro beijo.
Depois, Tômaz descobriu que além dos contos, poderia escrever romance. Na primeira tentativa, êxito. “Ah! – disse Tômaz – Eu te amo, Literatura!” E, na segunda, uma transa inesquecível: “Literatura, querida, como você é linda!. Não sei viver sem você!”.
Mas então, veio a convivência diária e o namoro de adolescente, tornou-se relação estável. Tômaz atingiu a maturidade. Mas nada de casar. Porque a Literatura é uma dama refinada da alta sociedade e exige dotes vultuosos, algo bem acima, infinitamente acima das possibilidades de Tômaz.
Chegou o momento em que ele já não sabia mais o que fazer. Tão grande se tornara seu amor pela Literatura, que já não lhe bastava mais vê-la aos finais de semana, como um casal de namorado que trabalha e estuda de segunda a sexta-feira. Queria tê-la todos os dias, e vê-la a todo instante. Ouvi-la já não lhe permitia abrandar a saudade.
Chegou o inverno naquele ano. E viera mais intenso do que nos anteriores. Tômaz recolhia-se no inverno. Refletia sobre a vida. E ao fazê-lo, daquela vez, percebeu que embora ainda amasse a Literatura, ela não lhe despertava mais as mesmas emoções.
Tômaz queria novidade. E ao caminhar pela Avenida da Paz, em meio à cerração, daquela manhã de Julho, sentiu que estava por acontecer algo que mudaria sua vida.
Naquela mesma noite, recebeu um telefonema de alguém que conhecia apenas de vista e pelo nome, mas para o qual nunca houvera sido apresentado.
Confirmou, depois, suas expectativas. Aquele senhor de nome Jornalismo era um sujeito encantador, disposto a tudo por uma boa conversa e disposto mesmo a lhe pagar bom dinheiro por uma transa agradável sem compromisso.
Tômaz se deixou seduzir facilmente. Ao lado do Jornalismo, descobriu que podia beber até cair, e ganhar algum dinheiro. Não precisava passar noites inteiras acordado, olhando pras paredes, como fazia junto da Literatura, que o havia ensinado a conviver todos os dias com a eternidade ou a ausência desta.
Com o Jornalismo, a vida nunca era a mesma coisa. Era intensa. Minutos eram preciosos. E as idéias, eram nada perto dos fatos. O sonho não existia. O mundo era real. E, às vezes, por demais real.
Da excitação dos primeiros dias de amor intenso, Tômaz percebeu que havia chegado para ele o momento mais incômodo do ser humano: o de fazer escolhas.
Não poderia amar ao mesmo tempo a Literatura e o Jornalismo.
Passou dias e noites pensando o que fazer. Até que decidiu. Nem um nem outro. Escolheu a si mesmo.
Naquela manhã pegou suas coisas: mochila, par de tênis, muda de roupa. Foi morar numa pensão. Sozinho.
Meses depois, trabalhava como carteiro numa cidadezinha alguns quilômetros distantes da sua.
Nunca mais ouvira falar da Literatura, tão pouco do Jornalismo.
Não seria o Mário de Skarmeta, muito menos o de Favari. Deixara de ser Tômaz. Era apenas um carteiro. Era gente. Sim. Pela primeira vez na vida. E estava disposto a sê-lo até o fim dos seus dias.
sábado, 21 de novembro de 2009
O MUNDO GIRA. AFINAL, É UMA BOLA.

Em 2006, após a vitória sobre o Brasil, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo, o atacante francês Thierry Henry esculachou com os brasileiros, ao afirmar que estes são craques porque desde pequenos vivem grudados na bola, enquanto eles, os franceses, estudam. Até aí, nada mais que uma constatação. Todavia, o mundo gira, o tempo passa e os comportamentos se modificam. Esta semana, o mesmo Thierry Henry não hesitou em burlar as regras do jogo (algo que certamente não aprendeu nos bancos escolares franceses), ajeitando com a mão a bola, antes de cruzá-la para o gol de Gallas que deu à França a vaga para o Mundial de 2010. Os irlandeses, adversários dos franceses naquela partida reclamaram, a mídia mostrou sob diversos ângulos a imagem da jogada irregular. E a FIFA entidade máxima do futebol admitiu a irregularidade, mas disse não poder fazer nada. Seria interessante saber o que o artilheiro Henry tem a dizer a respeito. Ele que costuma dar lições de moral.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
NOVAS LETRAS. ONDE? QUANDO?

A Literatura cheira mofo. E não é só no Brasil. É no mundo. Boa parte das editoras, nacionais e estrangeiras aposta desde recentemente na publicação sob demanda. E qual a primeira idéia que surge? Descobrir e publicar novos autores? Não. Desenterrar os antigos. Alguns até merecem o status de zumbi. Mas a maioria fica melhor nas Wikipédias da vida, nos dicionários ilustrados, nas estantes das bibliotecas e dos museus. Lá estão e lá devem ficar para efeito de pesquisa de possíveis interessados.
O sistema, em cujo seleto círculo só entra os escolhidos (nenhuma alusão, bem entendido, aos donos da mídia impressa), concedeu aos escritores marginalizados a esmola que se chama Blog. Um brinquedinho interessante, porém discriminado, e como quase tudo que advém da invenção e do propósito humano, mal aproveitado. Mas isso é só um efeito colateral da Internet.
No Brasil, ou se reza o terço das comadres literatas, acadêmicas e Best Sellers, ou se está ferrado. É simplesmente posto de lado. Ignorado. Como se não existisse. Porque todas as comadres e seu antro de parasitas bajuladores combinam, ou melhor, respeita um código, eu diria universal, que determina exatamente desprezar os inconvenientes. Dentre, os quais, alô platéia e, os meus queridos cinco ou seis leitores, eu me encontro. Com muito orgulho. Afinal, corro o risco de no futuro ser uma página à parte, única, na história da Literatura rio-clarense (oh, glória!). E talvez, brasileira, e, quem sabe, universal. Mas, com certeza, não estarei nos dicionários, não serei um verbete, misturado dentre tantos os atualmente ilustres e paparicados escribas. Admirados e lidos (Não me façam rir!). E solicitados. Para um autógrafo, claro, pois não.
Deparo-me nesse instante com um sugestivo anúncio de certa editora, cuja frase “isca” assim se descreve: O livro que consagrou Harlan Coben como um novo mestre do suspense. Quem? Ora, procurem na web. O livro custa R$29,00 pra quem quiser arriscar. E tem 256 páginas. Isso desanima um pouco. E uma capa maravilhosa, e um papel cuchê da melhor qualidade, provavelmente. Que lindo!
É mesmo comovente o esforço das editoras brasileiras para introduzir em nosso país uma Literatura que nada tem a ver com nosso país. E mais comovente ainda é imaginar que, esperam com isso formar leitores. E, lógico, consumidores de livros. Mas eles acham que somos todos idiotas. Não sabem, por exemplo, que pra que haja consumidor de livro é preciso que haja leitores. É matemática simples. Mas acontece que Exatas nunca foi mesmo o forte do pessoal das Letras. Exceto raras exceções como Malba Than e Blaise Pascal, este, filósofo, que, como todo bom filósofo recorreu à Literatura para expor suas idéias. Naquele tempo idéia tinha acento. Tinha? Sei lá.
Entretanto, pior que o deplorável diagnóstico, é saber que o doente, no caso, a Literatura, é tratada não por médicos das Letras, editores, escritores, mas por charlatães que se passam por esses e aqueles para fazer negócio e obter lucros.
Acho que depois dessa a editora vai rasgar o contrato que acabamos de assinar.
O que penso disso? Sabem a resposta, não?
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
O ESTRANGEIRO

Enterrou a mãe e sequer foi capaz de derramar uma lágrima. Matou o semelhante e jamais se arrependeu. Em poucas palavras esta é a história de Mersault, personagem do romance “O Estrangeiro” do filósofo e escritor argelino Albert Camus.
Mersault nada mais é que um pretexto, bem arranjado por Camus (leia-se Cami) para dissertar sobre o sentimento mais misterioso que o ser humano é capaz de produzir: a indiferença. A si próprio e ao mundo à sua volta. O que o torna de certa forma inacessível e, portanto, alheio aos acontecimentos, suas causas e efeitos e, isento de culpa ou mérito. Em outras palavras: Um estrangeiro, um estranho à realidade.
O livro tem poucas páginas o que facilita a leitura nos dias atuais. A narrativa é linear, a linguagem empregada pelo autor é coloquial e o enredo bastante simples. Exatamente por essas razões, o livro logo conquista a empatia do leitor e o leva a profundas reflexões sobre a possibilidade do absurdo da existência humana.
Sobre o autor:
O pai morreu durante a Primeira Guerra Mundial, na Batalha do Marne. Camus, nascido em 07 de novembro de 1913, em Mondovi, na Argélia, foi criado pela mãe. Durante a infância viveu com a mãe, a avó, um irmão mais velho e um tio, todos na mesma casa. Passou todo tipo de dificuldades. E por diversas vezes quase teve de largar os estudos. Mas foi ajudado por professores como M. Germain, na escola primária e Jean Grenier, durante seu período de graduação em Filosofia. Camus era apaixonado por futebol e há relatos que dizem ter sido ótimo goleiro. Quando de sua visita ao Brasil em 1949 a primeira coisa de que se ocupou antes mesmo de proferir suas palestras foi assistir a uma partida de futebol. Tuberculoso, a possibilidade da morte iminente o acompanhou desde muito cedo e talvez o tenha ajudado a refletir sobre o absurdo da existência humana, base de sua filosofia. Vivendo na França desde 1939, quando se deu a ocupação alemã, Camus cerrou fileiras na resistência francesa e ajudou a redigir e editar o jornal Combat. Além de “O Estrangeiro” outros livros seus bastantes conhecidos são “O Avesso e o Direito” (seu primeiro livro publicado) e ”O Mito de Sísifo”. Em 1957 recebeu da Academia Sueca o cobiçado Prêmio Nobel de Literatura. Camus faleceu às 13h55 do dia 04 de janeiro de 1960 em virtude de um acidente automobilístico, quando viajava com destino à Paris. Nos destroços do carro foram encontrados os originais do romance autobiográfico “O Primeiro Homem” que trazia uma sugestiva instrução de que o texto deveria terminar inacabado.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Berlin, 1945
terça-feira, 17 de novembro de 2009
ALBINONI
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
GERAÇÕES

Nossa geração ainda não aprendeu a assimilar as mudanças ocorridas na sociedade nos últimos anos. Penso que um erro que cometemos é tentar visualizar o futuro baseado nas nossas opiniões e convicções, quando o futuro não pertence a nós, não será produzido por nós, mas pelas gerações que irão nos suceder. Houve sem dúvida uma significativa mudança de valores, e, mesmo uma inversão de valores que muito nos incomoda. Mas se esses novos valores se impuseram foi, também, porque nos omitimos. E aqueles que se omitem não passam ao largo das conseqüências.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
AVE CÉSAR!

Por que a imprensa brasileira insiste em chamar de ativista político um criminoso condenado em seu país a prisão perpétua pela autoria de quatro assassinatos é pergunta que ninguém responde.
Só mesmo um governo presidido por um presidente semi-analfabeto poderia compartilhar dessa tosca idéia. Um governo repleto de ex-badarneiros e vagabundos que se aproveitaram da política e da boa fé do povo para vender a falsa esperança de que, a liberdade de imprensa e, o direito ao voto resolveria a todos os problemas do Brasil. Nada mais queriam que o Poder. E, se naquele tempo, já o tivessem conquistado, fariam exatamente o que fazem hoje: beijam a mão de banqueiros e se deliciam com as benesses do Poder como o cachorro faminto lambe o osso do qual resisti em largar. Mas naquele tempo não havia tantos miseráveis e analfabetos, as pessoas eram mais responsáveis e mais cultas. Enfim, respeitavam-se as leis. E não se tentava burlá-las o que se tornou prática neste país, ainda mais quando participa do governo que não viu nada, não sabe de nada e não fez nada um ministro da justiça cujo único e honroso papel parece ser o de “apagador de incêndio” que, diante de um blecaute do setor elétrico que atinge todo o país, levando milhares de pessoas às dificuldades de toda sorte e terríveis constrangimentos vêm em público para dizer que tudo não passou de um pequeno incidente.
Agora a decisão sobre o destino do criminoso italiano Cesare Battisti está nas mãos do Supremo Tribunal Federal onde tudo pode acontecer. O julgamento foi interrompido quando quatro ministros haviam votado favorável à extradição e outros quatro votados contra.
O presidente do Supremo Gilmar Mendes já disse que não abre mão do voto.
O advogado de defesa – por mais que a razão recrimine alguém teria, por força de lei, que pagar esse mico – tem se empenhado em dizer que a comunidade internacional dos direitos humanos aguarda apreensiva ao resultado do julgamento porque caso seja favorável à extradição poderia servir de desculpa para instaurar verdadeira caça às bruxas aos ativistas políticos (nome pomposo este) espalhados pelo mundo.
Desagradar à comunidade internacional pode. Manter o acordo de extradição firmado entre Brasil e Itália não pode. Claro que não. Afinal, estamos falando de Brasil. Onde também não se pode cassar Renan Calheiros e Sarney. E tudo em nome da democracia, da moeda forte, do PAC feito de papel, da campanha da Dilma, da recondução ao Poder por mais quatro anos de um bando de ilusionistas, cujo maior feito, foi convencer a elite, sabe-se Deus com que argumentos – a mudar a postura e a atitude secular e permitir que as classes menos favorecidas tivessem miseravelmente aumentado o seu poder aquisitivo que lhes permitisse ao menos ter acesso ao famigerado pão e ao indispensável circo.
Na verdade, bem ao contrário do que parece nada mudou. A direita continua mandando no país. Apenas a esquerda é que passou a fazer o serviço sujo. Todos, digo, eles todos, saem satisfeitos. Battisti provavelmente continuará tomando banho de sol no Brasil – para o nosso orgulho – e nós continuamos sendo os mesmos otários de sempre. Afinal, gostamos disso.
PS: A máfia italiana, nos seus melhores dias, ao menos usava terno de grife e limpava os sapatos para cometer os seus crimes. O que prova que nem bandidos se fazem mais como antigamente.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
O SENTIDO DAS COISAS

Na ânsia de obter lucros, de corresponder às expectativas de seus patrocinadores, a mídia acostumou-se a criar ídolos todos os dias, a reverenciar o banal, a tornar valioso o insignificante. Enfim, convenceu a sociedade que não é preciso pensar basta sentir. Põe-se de lado a razão para elevar o instinto e torná-lo hábito.
Quem perde com isso é a própria sociedade que ao enaltecer medíocres se desvaloriza. A partir de meados dos anos 90 intensificou-se a penetração e propagação de uma subcultura, desprovida de qualquer conteúdo. Ela está presente na música, através do pagode e do sertanejo romântico, na televisão através de idiotices como o Big Brother Brasil. E só não atingiu ainda a literatura, porque este não é um país de leitores, e o cinema, porque a produção de um filme é muito mais dispendiosa do que um Cd. E sob esse aspecto, a elite continua sendo a guardiã dos valores artísticos e culturais, cumprindo assim um de seus mais importantes papéis.
Somos resultado de uma miscigenação racial que nos impede de termos identidade própria. Impede-nos de termos um projeto de nação. Um rumo. Somos uma nau à deriva que, quando navega em águas calmas se deixa levar ao sabor do evento. Quando temos algo de valor, buscamos a sombra para o descanso. Não olhamos adiante. Não pensamos em como multiplicar o que temos. Acomodamos-nos.
Minha geração não aprendeu a pensar. E os poucos que aprenderam não foram no banco escolar que obtiveram este aprendizado. Foi por iniciativa própria.
Esta geração de adolescentes, em sua maioria, exceto aqueles que podem freqüentar uma escola particular, sequer é alfabetizada. E como poderá então aprender a pensar?
Pessoas que não pensam não interferem na sociedade. E quando o fazem é de maneira negativa.
Uma forma de estimular as pessoas a pensarem é proporcionar-lhes o contato diário com a cultura, através de suas inúmeras formas de expressão como a música, a literatura, o cinema, o teatro.
O Brasil, essencialmente um país musical, está doente sob esse aspecto. Há talentos que se perdem diariamente por falta de oportunidade. Não encontram espaço para exercitar e desenvolver o seu trabalho. E se essas oportunidades não encontram desestimulam-se.
A maneira mais eficiente de se criar necessidades é desacreditar as opções, é destruí-las. Isto se deu no Brasil com a música. Não há mais diversidade à disposição do grande público. Qual espaço ocupa atualmente o rock, o samba, a MPB, o choro? Nenhum.
Os escritores, ficcionistas ou não, os pensadores, enfim, poderiam despertar o cidadão. Poderiam. Se o cidadão tivesse o hábito da leitura. Assim, vozes dissonantes do discurso predominante se perdem aqui e acolá. Nada mais são que ilhas paradisíacas num oceano de merda.
Por isso muitos se surpreendem a pensar: Para que produzir cultura e arte? E para quem? Se ao entrarmos neste jogo as cartas já estão marcadas e os vencedores definidos.
O Brasil é um gigante tomado pelo câncer da ignorância gerado pelo desinteresse.
Quê finalidade nós temos em um país como esse? Por que continuarmos atirando pérolas aos porcos? E, até quando?
domingo, 8 de novembro de 2009
QUANDO PAPAI VOLTOU PRA CASA


quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A QUEM INTERESSAR POSSA... OU NÃO.
Foi um dos redatores do mensário O BETA, publicação de cultura e entretenimento que circulou em Rio Claro entre 2006 e 2007.
E trabalha atualmente na preparação de um novo romance Verão se Despede.
Também é colaborador do JORNAL AQUARIUS editado pelo escritor e produtor cultural rio-clarense Mauricio Beraldo.


